Em casa

Estamos, finalmente em casa.

Vai demorar algum tempo, um bom tempo eu diria, para eu conseguir escrever tudo que tem para dizer a respeito destes últimos quatro dias. Creio que a melhor estratégia seria ir aos poucos, e ambientando o que aconteceu.

Primeiro, o evento.
Eu? Eu estava no computador, falando com minha mãe. Vi o sáite do Weather Report, que me dizia “Severe Thunderstorm Warning”, o que geralmente significa “vem chuvarada”. Quando eu vi um monte de gente abandonando suas respectivas casas, pensei “bando de molenga”. Uns dez minutos depois, minha ligação com a mãe é interrompida, a conexão cai, o cabo perde sinal,  eu penso “também, com essa chuva”. Uns cinco minutos depois, alarme de tornado. Tatiana pergunta “continuo com o omelete?”, eu digo, acho que sim, até porque não tem como a gente sair com esta chuva. Telefone toca, bruno “Tchê, que a gente faz quando esta porra de alarme toca?”, “Se tu tá na rua, vai prum abrigo, se tu tá em casa, fica em casa e te abriga longe das janelas”. Começamos a fechar as janelas, a luz cai. Logo depois, enquanto eu fecho a janela de trás, eu vejo uma árvore caindo em cima da estrada, do lado do nosso apartamento, barulho de coisas caindo, metal distorcido “se essa alpisteira não cair hoje, não cai nunca mais”, Tatiana resolve levar nossos objetos de valor (PlayStation, Laptop, documentos) para o banheiro (estrutura mais forte da casa), e eu ligo o rádio. A única rádio no ar é a de Marion, que descreve as árvores ao redor caindo e os vidros do local quebrando. “Straight line winds are gusting to 10o miles per hour”, “Do not leave your house, stay in shelter”. Barulho de mais árvores quebrando, eu abro a janela da frente, vejo que uma árvore caiu em cima do prédio. Ligo para a Srobana, para dizer que quando a coisa diminuir, vamos sair para o Shelter – era a orientação da rádio de Marion, porque tinha previsão de um tornado seguindo a  primeira linha de vento. Srobana “A tree has just smashed itself three feet away from my window, I just say it”. Cinco minutos de vento seguem à toda.

A chuva cessa. O vento para. Resolvemos sair com o computador e documentos.

Isso até chegarmos ao estacionamento.

Uma árvore em cima de uma pick-up. Troncos nas duas saídas. Resolvo sair pela calçada. Tem duas saídas para a estrada principal, a primeira:
hurricane 008

e a segunda:

hurricane 009

Diante disto, e do forecast de “tudo tranquilo”, resolvemos voltar para casa, que naquele momento estava assim:

hurricane 003

O Bruno chegou uma meia hora depois, tendo estacionado o carro depois da série de árvores que nos separavam dos viadutos que levam para o Campus. Fomos então para um passeio pela cidade, inclusive pela casa de amigos e colegas, a mais atingida sendo a Roberta, que teve a casa repartida por uma árvore e o subsolo inundado.

Os videos do Bruno, vocês podem ver aqui. Vejam, por favor. Tem coisa ali que eu não saberia narrar.

Depois, coloco os desenvolvimentos deste primeiro momento.

Comments
11 Responses to “Em casa”
  1. G.D. disse:

    blogs = jornalismo VERDADE.

    Impressionante, o relato. VIVI junto o ataque dos Zumbis.

    Melhor momento: o resgate dos “BENS IMPORTANTES” que incluiu o videogame antes de qualquer coisa.

    Limpem esse estrago e sintam-se convidados (e metafisicamente PRESENTES) no meu EVENTO de sabado, proximo (info no blog)

  2. Renata disse:

    :) aqui em casa tinhamos imaginado a cena: “Fabricio, esbaforido, cabelos revoltos, olhos esbugalhados, salvando o playstation e a bateria.”
    Apesar de sabermos q o susto foi grande não deu pra resistir.

  3. primogenito disse:

    seguindo o relato da irmã “intermezza” acima, devo dizer que todos nos divertimos muito (depois de saber que estavas bem) imaginando a cena:
    – Tati no banheiro, com dinheiro e documentos, no meio do temporal, gritando: “vem Fabricio, vem logo!” e o Fabricio, na sala, empurrando cinco caixas de livros e CD, dizendo “Já vou, só falta achar aquele livro do Kant que eu comprei no sebo na Riachue…” brum…cabrum…

    Além disso, esqueceste de comentar o aconteceu com aquela senhora (que não é nervosa, quando se trata do mais novo) e que estava contigo no computador, quando tu disse “nossa! que ventania! parece um tornado!!! Tati, fecha as jane…” … desaparece a imagem e fica horas sem conseguir contato…
    Ela ligou para Nasa, FBI, Polícia Federal brasileira, embaixadas, isso sem falar no bispo…

  4. Ferrari disse:

    Isso explica pq a casa deles foi poupada.

  5. Letesgo disse:

    Acrescento que um dos bens de valor que ficou faltando mencionar: A camiseta do NIN.

  6. Ferrari disse:

    Que camiseta? Aquilo é uma tatuagem. Pq tu acha que não sai?

  7. Marcelo disse:

    Isso não foi nada.
    Lá em Imbé teve uma vez bem pior.
    A árvore que tinha na frente da nossa casa foi parar quase em Mariluz.
    Saímos remando do nosso pátio e fomos até o calçadão.

    Sério.

  8. o primogênito disse:

    Devo concordar com o Marcelo acima…
    Vi os vídeos e as fotos e a verdade deve ser dita: comparado com nossos temporais aqui no rio Grandeeee, isso não passou de uma brisinha à toa.
    Muito me surpreende que um gaúcho de sete costados tenha se assustado com essa ventania que não chega nem a pentear ovelha aqui nos pagos. Tá precisando passar um outono aqui com a gente…

  9. Ferrari disse:

    Gaúcho é melhor em tudo.

  10. Renata disse:

    Gaúcho é melhor em tudo [2].

  11. Sérgio disse:

    Bah, o rapazito ta esquecido dos nossos “minuanos”…

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