1. e4 e5 2. Nf3 Qf6

Um post lá no blog do Divan me deixou animado, porque não sou o único morrendo jogando xadrez no Windows Vista. Mas tenho que me explicar. Ao contrário dos colegas eu era um aluno TENEBROSAMENTE horrível. E passei os três primeiros semestres do direito no centro acadêmico jogando xadrez (as vezes sozinho) para passar tempo durante as aulas de economia, introdução e tudo mais.

Depois eu evolui, durante as aula de processo e de direito penal eu ficava lendo qualquer coisa menos os textos. Li a triologia do senhor dos anéis, terry prachet, um monte de coisa divertida, nas aulas de processo penal e processo civil. Claro, pegava G2 como um condenado. E quase enloqueci no processo.

Até hoje não sei como eu fui parar no mestrado, juro.

Mas sobre o jogo do vista. Nos cinco primeiros níveis, o computador perde se tu usar Greco Defense. É básicão. A partir do sexto nível, no vista, a coisa fica mais xaropenta. O sétimo me lembrou a única vez que eu inventei de jogar com alguém que sabia matemática.

Xadrez, na realidade, é uma das formas mais sublimes com as quais se perder tempo. Afinal de contas, o jogo de xadrez é ótimo para se aprender como jogar xadrez melhor – uma excelente vantagem do xadrez diante de, digamos, paciência ou canastra, que não importa quanto tu joga, a coisa continua absurdamente aleatória (excetuada, é claro, a hipótese de tu te chamar “Renata” e inserir o elemento contingente “cartas aparecendo magicamente” no jogo).

O interessante é que voltando a jogar poker, me motivei ao xadrez. São esportes parecidos, se tu parar para pensar. O xadrez tem um elemento de blefe muito presente, e tanto o xadrez quando o texas hold’em tem a parte do open game versus hiden game. Tu sempre denuncia a tua jogada, mas tem outra jogada por trás desta que teu adversário tem que matematizar.

Estes dias eu li um artigo sobre Teoria dos Jogos aplicada ao Poker. O cara, atual campeão mundial de Texas Hold’em, aplicava um modelo de Rational Choice para o jogo. Fiquei curioso sobre esta hipótese no Xadrez, que no fim das contas é um jogo de permutações. O mais interessante é que tanto no Poker quanto no Xadrez a hipótese de colaboração está de cara morta, tu sentas para jogar já sabendo que teu adversário vai querer ganhar de ti. Só que no Poker tu tem a hipótese de “ganhar um pouco, perder um pouco”. No xadrez isto não existe. Tu não termina em segundo lugar em um jogo de xadrez. Tu perdes o jogo. No poker, em uma mesa com cinco, terminar em segundo significa ganhar um pouco de dinheiro. No xadrez, significa ser humilhado, perder o orgulho, sofrer uma derrota.

Agora em junho vou tentar assistir, junto com a Tati, este seminário sobre Game Theory e teoria política. Já existem tantas comparações de política com xadrez que o tema periga ter sido totalmente  esgotado pelo senso comum, mas tô curioso para ver se estudar teoria dos jogos vai me tornar um jogador de xadrez melhor.

Ei, com esta economia é importante pensar em alternativas, né? E pelos motivos acima explicitados é bem claro que meu futuro enquanto jurista não é lá muito brilhante.

Comments
12 Responses to “1. e4 e5 2. Nf3 Qf6”
  1. PanoramaofEndtimes disse:

    meu tio foi campeão estadual de xadrez por carta, há tempos atrás. Hoje ele é desembargador. E um cara vendendo mel levou 350 pilas dele.

  2. um cara vendendo mel? wtf?

  3. PanoramaofEndtimes disse:

    sim. O cara levava mel para vender no prédio. Parece que o meu tio comprou coisa de 10 méis e o cara continuou a ir no prédio e não trazer a encomenda.

  4. Tati disse:

    Eu sei como vc foi parar no mestrado. But I’m not one to brag!

    :P

  5. PanoramaofEndtimes disse:

    isso explica, definitivamente, que a tati não é frígida! ^^

    Dá-lhe Tati!

  6. Marcelo disse:

    Xadrez é um jogo bom.
    Comecei a jogar ultimamente pra ver se desenvolvia uma certa disciplina no raciocínio.
    Parei quando me dei conta que tava deixando de fazer as coisas pra jogar =)

  7. Virgula disse:

    Olha ae fabs quem sabe agora cê não pode inventar o strip xadrez :D
    Se bem que adversárias e ainda atraentes são complicadas :P

  8. PanoramaofEndtimes disse:

    prefiro o strip par ou ímpar

  9. Renata disse:

    Eu me chamo “Renata” e NUNCA, JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, fiz cartas aparecerem magicamente em um jogo. E desafio qquer um a provar tamanha calunia.
    Tati, como parceira oficial das partidas de carpeta, espero pela tua defesa. SEMPRE jogamos limpo, e SEMPRE ganhamos de nossos adversarios pelo talento e capacidade de raciocinio logico durante as partidas. Se, eventualmente, cartas era espalhadas e misturadas na mesa pela ação de fortes ventos, nada temos a ver com isso. PRONTO FALEI!
    XADREZ, hã? Xadrez pra mim é estampa de camisa em festa junina.

  10. Letesgo disse:

    Fá recomendo ler Nelebuff,Barry J. e Brandenburger, Adam M., Titulo: Co-opetition: A revolutionary mindset that combines competition an cooperation..The Game theory strategy….
    E quanto as cartas, esse “SEMPRE ganharam” é nome de filme? Pois QUANDO GANHAVAM, coisa rara, era de uma maneira sombria, beirando o terrorismo na harmonia da dupla CAMPEÃ…

  11. Tati disse:

    Rê, eu não havia me manifestado mais cedo porque certas acusações não merecem ser dignificadas com uma resposta. :P

    Mas tu sabe, intriga da oposição, tentando perturbar a nossa sintonia e macular nossa fama. :P Não liga, pq isso é bem típico de quem, não conseguindo ganhar por caminhos convencionais, escolhe apelar para difamação!

  12. moche disse:

    Eu não acredito nessa história de que dá para vencer a máquina. :)

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