Um pouco de musica

Muito bem, alguns lançamentos das últimas semanas me motivaram o suficiente para escrever sobre música aqui.

Direto ao ponto:

1) The Mars Volta – Octahedron

Sete faixas, metade acima de cinco minutos, duas acima de sete. Solos de guitarra intermináveis. Bateria com bumbo duplo, puxando no contra-tempo. The Mars Volta me faz acredita que Rush trouxe alguma coisa de bom para o universo. O album começa perigosamente perto do heavy melódico, perigosamente. E segue com coisas que lembram, bem, lembram CAPTAIN BEEFHEART. Ok, qualquer coisa com ambiente feita sob efeito de LSD lembra Captain Beefheart.  Exceto, bem, exceto que as letras do Mars Volta sempre me deixam meio que com medo destes caras. Sei lá, não me pergunta porque. They creep me out. Mas tudo bem, Since we’ve been wrong é realmente meio levinha. Até porque, até o quarto minuto, a bateria ainda não se apresentou no album.  Cinco minutos e meio até ela se apresentar. Junto com um riff. E daí eu lembro porque eu sempre prefiro ouvir Mars Volta do que pegar, sei lá, o album novo do Coldplay: balls. O que me leva ao resto do album. Balls. Uma banda de rock, que grava solos, bateria com contra-tempos, e letras babacas sobre demônios do sul do Texas. Sim, por favor. Sem politicagem? Nenhuma. Promete? Sim. Balls. Um falsetto do vocalista do Mars Volta me diz muito mais que o Thom Yorke, por mais que eu goste de Radiohead. Porque? Balls. Velho, em um tempo de musiquinhas sem riffs, cheias de firulas e self-conscious alternadas com um happy-go-punk-de-butique  de um lado, e do universo de acordo com o Pro-Tools na música Pop, é um alívio ouvir uma banda que não dá a minima para convenção – de qualquer um dos lados – e toca a merda que eles tão afim de tocar para se divertir. A big pair of balls.  Eles não são perfeitos? Claro que não. Não é o album do ano? Não, embora eu vá avaliar um sério candidato na sequência. Mas seguinte: é música feita por gente que gosta do que tá fazendo, e soa como tal. E o album é progressivo, portanto, faixa-por-faixa, sem pular. Além disso, tem uma música chamada Halo of Nembutals que vale – sozinha – o album inteiro.

Na real, o album todo é uma faixa. Mas este pedaço é genial.Sem contar que Cotopaxi é aquela música que sintetiza tudo que tua mãe te disse que tu devia evitar naquela turma vestida de preto na tua escola:

2) Jarvis Cocker – Further Complications

Ok, já tem tempo que eu acho o Jarvis Cocker um compositor mais interessante que o herói dele – que atende pelo nome de David Bowie. Bowie é mais importante, não tô discutindo isso. Eu só acho as composições do Jarvis, seja no pulp, com a Marianne Faithful ou mesmo solo, mais interessantes que o que o Bowie fez. Não, o Jarvis Cocker nunca gravou Low. Mas o Bowie também não.(provocação gratuíta mode: ON) O Bowie só fez os vocais, o album é do Brian Eno (provocação gratuíta mode:OFF). Mas chega disso. O album novo do Jarvis Cocker é a versão do Cocker para o período “americano” do Bowie, ou seja : Young Americans e Station to Station. Pois bem, se tu gosta destes albuns, o Cocker fez uma versão melhorada deles. Corre lá, e compra o cd. Se tu não curte muito aquele estilo mais Crooner do Bowie, ou não tá afim de ouvir historietas musicadas, sugiro evitar. Metade do CD é genial em qualquer contexto, mas ele tem músicas que eu, pessoalmente, não colocaria entre as mais memoráveis da carreira do Jarvis. Ainda assim, Further Complications e Hold Still são belas músicas, e I never said I was Deep é uma das melhores – senão a melhor – composição do Jarvis Cocker.

Jarvis: Eu sei, tu usava em 1987, eu sei. Mas pelo amor de deus, a gravata virou COISA DE EMO. Larga. Amanhã.

Sonic Youth: The Eternal

Ninguém mais da bola pro Sonic Youth. Isso é provavelmente porque gente da laia de Deerhunter, Placebo e coisas afim resolveu pegar o som do Sonic Youth, encher de firulas babacas e chamar de “alternativo”. Fodam-se. O album novo do Sonic, que  lembra o Sister – case in point é uma música chamada “What we know” – , é possívelmente o melhor album deles desde o Murray Street. Mas Sonic Youth segue uma lógica diferente das bandinhas que tão poraqui agora, ou seja: eles são consistentes, porque eles existem para além da pose e da propaganda na Spin e realmente sabem tocar seus instrumentos. Passados dos seus quarenta (por deus, a Kim Gordon tá cinquentona) e com o baixista da maior banda dos anos 90, o Sonic Youth tem largado albuns excelentes a cada cinco anos, e com exceção de Bad Moon Rising, Washing Machine e NYC Ghosts and Flowers, eu diria que todos os albuns são pelo menos muito bons. Este último album,   para todos os efeitos, é um album até bastante convencional. Extremamente bem elaborado, extremamente divertido e deve funcionar que é uma beleza ao vivo. O Sonic Youth está oficialmente com três guitarras que mostram serviço diversas vezes. Lee Ranaldo voltou com força neste album, que tá com mais foco em Riffs e na guitarra como elemento melódico , o improviso de algumas faixas tá genial, e é o tipo de coisa que só uma banda com tempo de estrada consegue fazer.Várias coisas parecem ter focados em técnica que os caras andam brincando na coleção SYR – pelo amor de deus, se tu gosta de música experimental tu precisa dar uma olhada nesta coleção. O óbvio, olhando para a história do Sonic Youth é que estamos diante de uma banda tão grande quanto Led Zeppelin ou U2 – certamente muito melhor que U2 para meus ouvidos alérgicos à qualquer menção de Bono Vox (exceto no AB, que é um puta album).  Finalmente: Calming the Snake pode ser a maior síntese do som do Sonic desde Hey Jony, além de ser evitende tributo a Patti Smith (/win)

Como sempre, se tu não gosta de Sonic Youth, não vai ser este album que vai fazer tu gostar de Sonic Youth. Se tu não conhece Sonic Youth, é um bom começo.  Do que ouvi até agora, este CD é sério candidato a melhor cd do ano – em um ano que, até agora, tem muita pouca coisa interessante.  Sonic Youth reclama, com este album, seu lugar de direito como banda mais do caralho do universo. Não custa insistir: Radiohead? Quando o Radiohead gravar algo como o Daydream Nation eu COMEÇO a pensar no assunto. Até lá, prefiro Bad Seeds, Sonic Youth e Queens of the Stone Age. Descobri que não consigo viver sem riff de guitarra e música feita por gente que parece tá se divertido – pelo menos um pouco.

Marilyn Manson – The High End of Low

Era uma vez um roqueiro fã de Alice Cooper em Tampa, Florida. Ele tinha uma banda de shock rock, com influencia de Skinny Puppy e Alien Sex Fiend, e o guitarrista imitava o cara do Ministry. O nome deste cara era Brian. Um dia, o Brian tava tocando num bar, e um conhecido dele que tava tocando com uma banda nova de Ohio chegou para convidar ele para abrir o show. O nome do conhecido era Robin Finck, o nome da banda era Nine Inch Nails. Foi então que, durante seis anos, Brian foi criado e projetado para virar o David Bowie para o Iggy Pop do Reznor. Tudo no Antichrist Superstar lembrava Bowie. O símbolo era igual ao do Ziggy Stardust, era ocultismo para menininhas de 15 anos e guris entediados (oi!) de 16. E o album não era ruim, tinha pelo menos quatro músicas memoráveis (a mais memorável Torniquete, é séria candidata a clássico do estilo). Daí o Manson achou que era maior que o Reznor, mandou tudo às favas, e gravou o que é – na minha opinião – o melhor album da carreira dele: Mechanical Animals.Dai o Manson acordou e descobriu que não tinha mais nenhum truque nas mangas e decidiu demitir o cara que segurava a banda dele – e que certamente compôs todas músicas no Mechanical Animals. Com isso, o Manson virou um pateta. Um palhaço condenado a fechar o show do MTV music awards no BRASIL mal conseguindo se manter coerente no palco, com um guitarrista que tinha conseguido ser expulso do KMFDM (!!!) por consumo excessivo de drogas (!!!!!!!). Enquanto isso, o shock rock provou ser um movimento desastrado que deu ao mundo Limb Bizkit e Linking Park de um lado, e Slipknot e ORGY do outro. Daí, eu olhei o squad por trás do album novo do manson. “Hmn, twiggy ramirez voltou. Hmnn, tem dois caras da formação do NIN na época do Fragile aqui. Derrepente vale.”

Coloco o cd. “É o cara do limb bizkit na guitarra?”. Fui checar. É. Sério. Ok, mas não tá ruim. Não tá bom. Mas não tá ruim. Funcionaria numa pista. Se todo mundo na pista tivesse chapado, mas, pensando bem, esta premissa é auto-evidente, logo, etc. Ok, isso lembra Mechanical Animals.

E foi isso. O CD lembra Mechanical Animals, só que me parece bem calculado isso. Meio que um botão de reset “amiguinhos, vamos esquecer o que aconteceu do Mechanical Animals até agora, tá?”. O problema é que o Manson virou um bufão gordo com delineador mal colocado, e o esquema “baladinha-overdrive-banguear” cansou um pouquinho. E tipo “I can’t sleep until I devour you”. Outra coisa. O esquema de tirar os instrumentos da tomada e tal. Escuta: é meio ridículo, tendo em vista que em 1997 já te acusavam de vampirar o Reznor, né?

“Pretty as a swastika”, por sinal, é o nome mais ridículo de todos os tempos. Daí ver que tu substituiu por “Pretty as a $”, sério? É triste tu perceber que o cara que tava concorrendo para ser ziggy stardust tá se aproximando perigosamente de ser o novo Rei Lagarto. E na boa, Jim Morrison é para matar, né?

Mas, como no The Doors, a banda as vezes salva a vida do vocalista. Existem os momentos bixa velha (Devour, Black and White, We’re from America, Running to the edge of the world), mas uma banda decente faz a diferença fundamental entre este album e os últimos dois albuns do Manson – que estavam simplesmente intoleráveis. Minha sugestão? Peguem a banda, e coloquem o James Maynard, do Tool, e chamem de PERFECT CIRCLE. Já tem três ex-membros, por deus.

Insisto em dizer que é um album que não caracteriza como ruim, mas tá longe de ser sensacional, ou tocável na íntegra. Manson conseguiu algo incrível: reproduzir o efeito The Cure. Ouvir o album novo dá uma vontade imensa de voltar para as velharias. Não é um album que dá para ouvir inteiro, mas tem músiquetas boas –  Four Rusted Horses, Leave a Scar. Umas duas ou três músicas que funcionariam em pista, e um resto de colagens de coisas do Mechanical Animals com um nu-metal meio melódico.  O melhor que eu posso dizer sobre este album é: pelo menos não é Placebo.

Tori Amos – Abnormally Attracted to Sin

Basta ouvir um minuto do album novo da Tori para perceber que é, bem, a Tori tá ficando velha. E não tá ficando velha daquele jeito Joni Mitchell bacana de ficar velha. Ela tá ficando velha daquele jeito “meus melhores amigos são meus quinze gatinhos chamados Billy”. Tori é sempre interessante, mesmo quando é louca. Mas a mania de fazer albuns gigantescos irrita e eu não consigo entender porque alguém gostaria de reproduzir a sonoridade da Kate Bush quando a tua própria sonoridade é muito mais interessante.

Olha, uma artista que gravou Under the Pink, Choirgirl Hotel e Scarlett’s Walk merece respeito. E eu tô tentando, juro. Mas quando um album te lembra Kate Bush, tem algo de  muito errado acontecendo, e isso precisa ser dito. Kate Bush, cara. Lembra?

Este blog não se responsabiliza por dano mental permanente decorrente de ouvir e/ou ver o vídeo abaixo:

O album tem músicas que te lembram que Tori é uma artista acima da média, especialmente Maybe California, Curtain Call e Police Me (que lembra Depeche Mode). Mas o album tem uma coisa meio anacrônica, uma tentativa de ser eclético que vai cada vez mais fracassando. Talvez fosse a hora da Tori dar uma olhada nas possibilidades com relação a re-visitar o próprio catálogo, sei lá. É muito difícil acreditar que este album foi feito pela mesma pessoa que fez Under the Pink. A verdade é que por mais que eu tente dar voltas para dizer isso o album é brega. Tem som de fim de noite em bar barato, mas fim de noite ruim, não fim de noite ouvindo Bad Brains ou Magazine. Não. Fim de noite ouvindo Fagner e Milton Nascimento. Sério candidato a pior album da tori, junto com o Beekeeper.

Comments
10 Responses to “Um pouco de musica”
  1. Tati disse:

    Mars Volta é um saco. Assim como Pink Floyd, acho que eles tem uma ou duas músicas decentes.

    Jarvis Cocker é um fofo. Um dos melhores compositores da geração dele. Vou ouvir “Different Class” por no mínimo mais uns dez anos. E eu curti o album novo, o humr dele segue afiado! :D Queria tanto um reunião do Pulp e uma turnê passando por Chicago!

    O novo do Sonic tá tããão bacana! Será tããão bacana ir nesse show. Eu não entendo como vc consegue encaichar comentários sobre o SY e aquela outra bandinha lá, Placebo. Nisso eu preciso ser muito grata ao meus instintos músicais: posso me orgulhar de nunca ter gostado de Placebo. Vão fazer pose daquele jeito no quinto dos infernos! Sobre o Radiohead: concordo em gênero, número e grau. Sempre achei que faltasse “alma” ali.

    Tu voltou a escutar Marilyn Manson? Foi por isso que tu vei com aqueles papinhos de ir no show deles em STL? Fabi, eu não queria ter que ser tão honesta assim contigo, mas mês que vem tu faz 28 anos. :P

    Eu deixei a Tori Amos como uma trilha musical muito boa que embala minhas memórias dos 16 aos 22. E é isso. Não quero ouvir mais nada. Não quero reconhecer a existência dos fãs, a das latinhas dos fãs. Me recuso. O Scarlett’s Walk é um baita álbum né?

    :)

  2. Sérgio disse:

    Fabricio: “Tati nós podiamos ir no show do Marilyn Manson?”
    E a Tati se fazendo de surda: “O novo do Sonic tá tããão bacana! Será tããão bacana ir nesse show; Fabi, eu não queria ter que ser tão honesta assim contigo, mas mês que vem tu faz 28 anos”
    Adivinha quem ganhará???

  3. Renata disse:

    Aposto q o Fá vai quebrar os cds e fazer fogueirinha, saltitando nu em volta. Dá-lhe Tati e o poder de fazer cair fichas!

  4. G.D. disse:

    1) Escutarei esse do Mars Volta, se bem que, fora quanto a esse nome incrivel, essa banda jamais me atraiu muito. O que ouvi no MySpace foi bastante satisfatorio de inicio.

    2)Demonios texanos= O CONTEXTO

    3)…

    4) Jamais compreendi o porque de tanta idolatria para com o SY. Meus amigos, quando eu era menor falavam “Goo” isso,”Goo” aquilo e eu: “Ahnn…seria eu o unico que NAO ESOTU achando isso a MELHOR coisa do mundo??!?”

  5. G.D. disse:

    Ah:

    um amigo tentou mostrar esse do Jarvis Cocker, mas estavamos em uma janta de casais bebendo vinho e comendo antepastos enquanto as mulheres comentavam sobre o sofa novo da dona da casa por isso, ahhhmnn…, NAO ESCUTEI. Mas darei uma chance. Ele merece.

  6. Ferrari disse:

    Jarvis Cocker = GÊNERO

  7. Ferrari disse:

    Ah, e Sonic Elders é uma merda.

  8. Falou o cara que gosta de uma banda cujo nome relembra certa marca de facas vendidas na Polishop.

  9. Ferrari disse:

    Claro, pq as bandas a gente julga pelo nome.
    E Ghinzu dá de dez em Sonic Elders.

  10. Ferrari disse:

    Que conste nos autos, Black Merda não é uma merda.

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