Cacetada

Brian Leiter é professsor de filosofia em Chicago, e um dos especialistas em Nietzsche – com uma leitura via analítica. Eis o que ele tem para dizer sobre Derrida:

Derrida was the bad reader par excellence, who had the gall to conceal his scholarly recklessness within a theoretical framework. He was the figure who did more violence than any other to what Nietzsche had aptly called “the great, the incomparable art of reading well,” “of reading facts without falsifying them by interpretation, without losing caution, patience, delicacy, in the desire to understand” (The Antichrist, sections 59 and 52).

Hmn.

Que mais?

There seems no doubt that unlike, say, Heidegger, who was a personal and moral monster, Derrida really was a decent human being in his interpersonal dealings. But that, I’m afraid, is not what is at issue here. If he had become a football player as he had apparently hoped, or taken up honest work of some other kind, then we might simply remember him as a “good man.” But he devoted his professional life to obfuscation and increasing the amount of ignorance in the world: by “teaching” legions of earnest individuals how to read badly and think carelessly. He may have been a morally decent man, but he led a bad life, and his legacy is one of shame for the humanities.

Claro, tendo em vista que isso foi o obituario que Leiter escreveu para Derrida, não é surpresa que tenha causado frisson. O principal a reagir foi o Critchley, da NSSR, e o Leiter resolver reagir, desta vez batendo no Ximon:

Critchley, alas, represents that “other” kind of academic too often attracted to Continental philosophy, the intellectual lightweight and philosophical tourist who can’t read a text carefully or follow a philosophical argument.    (…)  I fear, philosophical used car salesmen like Critchley will, too often, pose as spokesman for non-Anglophone traditions in philosophy.

As vezes eu concordo com o Leiter sobre o Critchley. Sobre o Derrida, nem tanto. Mas depende do dia, e depende do livro. O que o Leiter ignora é que parte do fazer sentido do autor é superar a pessoa, superar as bobagens e indiossicracias do escritor. Tudo bem, Derrida escreveu bobagem. Derridianos, nem se fala. Mas o Gramatologia é maior que o Derrida. Assim como Ser e Tempo é maior que Heidegger.

.

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Tá, não tenho tanta certeza disso. E é isso que me perturba.

Amanhã, os detalhes do show.

Comments
5 Responses to “Cacetada”
  1. Tatiana disse:

    Adorei o termo “philosophical tourists”. Adotarei!

    :P

  2. Walter disse:

    “If he had become a football player as he had apparently hoped, or taken up honest work of some other kind, then we might simply remember him as a “good man.””

    haha.

    “Mas o Gramatologia é maior que o Derrida. Assim como Ser e Tempo é maior que Heidegger.”

    Isso me lembrou… “O Senado é maior que Sarney.”

    Eu também “não tenho tanta certeza disso”, mas isso definitivamente não me perturba.

  3. Moche disse:

    Eu sinceramente fico pasmo com o grau de arrogância e ignorância que alguns analíticos nutrem com todo esmero. Por mais pedantes que possam ser alguns continentais, nunca os vejo se referir aos adversários intelectuais dessa forma estúpida e superior, sendo que na maioria das vezes sequer estão a par do que está sendo discutido. Essa postura – que lembra sempre gente como Searle e Nagel, com seus seguidores – é nojenta. Não tem outras palavras. Desculpe.

  4. Pois é, eu também tendo a questionar os motivos de tanta VIOLÊNCIA na reação ao troço.

    Este papo da indústria de defesa de Derrida, do Leiter, é meio babaca. Porque ele também é parte de uma indústria. E ao fazer este discurso, ele acaba entrando no papo de destruição de bibliografia alheia – que sempre me pareceu um cheap shot.

    Mas isso é tudo, não sei se NOJENTO, embora eu entendo que dá um certo asco de toda esta arrogância. Mas é parte do que a gente faz. Quero dizer, o pedantismo de alguns continentalistas pode ser bastante agressivo – para mim, o Limited Inc constitui uma verdadeira declaração de guerra. E se o Derrida não estava disposto a arcar com as consequencias daquilo… BUENO. Porque vamos combinar… chamar de Sec? Dizer que é SECO, ÁRIDO e GROSSEIRO? Isso Não é ser estúpido e superior? Claro que é, mas também é muito divertido.

    No fim das contas, é meio divertido ver este monte de cabeção se pegando no pau feito um monte de criança brigando pelo melhor docinho da cesta. Este lance egóico acaba sendo tudo que a gente tem na academia, já que dinheiro não se tem, reconhecimento social é zero e poder é piada. Sobra estas guerrinhas de ego.

    De qualquer forma, eu ainda diria que a filosofia do Nagel é mais que o arrogante do Nagel. É aquela história, tu nunca quer conhecer o teu compositor preferido. Tu vai te decepcionar. Tu nunca quer ouvir teu escritor preferido falando sobre política. Tu vai achar uma merda.

    As vezes, o melhor é despersonalizar o troço.

    Sei lá, talvez eu esteja COMPLETAMENTE errado nisso.

    Os temas da briga aqui nos Estados Unidos são tão CARTAS NA MESA que eu fico meio chocado. É um jogo de pôquer, texas hold’em , sem limite,e neguinho apostando asganha. Daí que o Leiter vá escrever estas coisas.

  5. Tião Macalé disse:

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