Sobre escrever, sobre escritores

Eu não sou um bom escritor.

Eu não escrevo com domínio da lingua culta, nem tenho qualquer pretenção de fazer isso – como vocês bem sabem. Delírios de pretensões literárias exuberantes, eu deixei nos meus 22 anos, em textos engavetados que eu espero que ninguém nunca descubra.  Embora alguns que frequentam este blog tenham lido eles.

Mas o problema é que a musa que te permite escrever é uma musa exigente e sangue-suga. O que passa por poesia, geralmente, é um amontoado de frases soltas e palavrinhas bonitas . O que passa por grandes histórias, são bobagens comuns, dramas idiotas. A defesa de Kafka, Benjamin sabia, não era apenas contra seus intérpretes,  era também contra seus imitadores baratos.

A crença estupida na história do gênio atormentado, do romantismo, aquele, que custou a vida de jovens medíocres no século XIX, e o tédio da classe alta inglesa que nos deu Byron, esta crença só pode ser justificada pelo passe de mágica que os que se pensam atormentados, em um spleen, reproduzem os dramas da Belle Epoque, e conseguem apenas emular sua própria patetice em roupas de marca.

“Mas se o Bukowsky podia, porque eu não posso?”. Não sei, ninguém tá te proibindo. O Walter Benjamin tomou haxixe e escreveu sobre o forno que parecia se tornar um gato. Se tu achas que isso te dá algum ponto de vista privilegiado, vai em frente. Eu acho que o melhor motivo para não usar droga é ouvir o discurso de pessoas que estão sob o efeito de drogas. São bobagens. Bobagens completas, distração, incapacidade argumentativa, elogio mútuo e sexo fácil.

Nada contra, mas isso não é liberação. Qualquer macaquinho de circo faz isso, e eu não acho que um macaquinho de circo é livre, ou tem algum ponto de vista privilegiado. Eu acho ele triste, preso e ciente da própria prisão. Talvez possamos dizer menos sobre o drogadito.

Não sei como fui da escrita para as drogas. Talvez pela chamada atitude literária, que alguns ainda parecem acreditar ser o caso. O mito do grande escritor atormentado, em sua casa, solitário, chapado de haxixe. Um mito que nunca fez sentido. Que custou a vida de pessoas talentosas – e outras nem tanto, mas que nem por isso mereciam morrer. Ou alguém acha que o Syd Barret era bom por causa do ácido? Johnny Thunders pela heroína? Bukowsky pela coca? Alguém ainda acredita nisso?  Alguém ainda acredita nas visões que a lisergia te proporciona como visões que devemos provocar?

É estranho. Isso é coisa de gente que nunca viu alguém tendo uma bad-trip. Nunca viu um cara tremendo em delírio enquanto bate a cabeça contra o vidro, nunca viu um neguinho com dano cerebral porque tentou abrir “as portas da imaginação”.  Adolf Huxley era um panaca que acreditava em Xamanismo, era um escritor ruim, com uma prosa entediante. Toda vez que eu fiquei bêbado na minha vida, a única coisa que consegui, de produtiva, foi dançar funk e confundir a hora de tocar a bateria no Rock Band. Faria tudo de novo. Mas não defenderia o que eu fiz como legítimo na esperança de falar de um ponto privilegiado.

Meu ponto é que escrever, este exercício egóico que a gente teima em fazer, apesar de dar poucos resultados, só transcende em casos excepcionais. A boa literatura é um troço difícil de achar, quase impossível. Assim como os bons escritores, bons poetas. E a probabilidade de tu ser um deles é pequena  – ínfima. Portanto, cuidado. Os atormentados do século XIX não eram atormentados por causa dos tóxicos que eles usavam, eles eram atormentados porque na grande parte viveram uma vida de merda, cercados pela morte de amigos, perseguição política, pessoas podres da praga morrendo na rua. Tu queres este mundo para ti? Vai em frente.

Só, te certifica por favor, de não levar a gente contigo.

Comments
67 Responses to “Sobre escrever, sobre escritores”
  1. Ferrari disse:

    Apanhar?

  2. Marcelo disse:

    Ela era psicopedagoga, portanto professora de séries iniciais, portanto tia-da-escolinha.

  3. Ferrari disse:

    Ahhh…
    Been there, done that.

  4. Tatiana disse:

    bando de tarado. :P

  5. Tatiana disse:

    Eu tentando aqui escrever uma prova e vcs me distraindo com as suas fantasias pré-escolares!

    :P

  6. Marcelo disse:

    Rá, mas ela tinha 31 (eu 21), mais ou menos a idade das tias da minha escolinha, na época que eu frequentava.

    E não era o Habkost. Nunca mais vi.

  7. Ferrari disse:

    Pq NUNCA NENHUMA guria quis ter algo com um professor, NÉ TATI?

  8. Tatiana disse:

    Hein? Alguém me chamou?

    Paixão platônica? Eu?

    NUNCA.

  9. Wow.
    Ok, vamos lá.

    1) Comer a linguiça do Dênis=WIN
    2) Quem lembra da massa que convenceu o Mallmann que restaurante comunitário era possível levanta a mão.
    3) Pegar mulher gorda na NEO = DERROTA. Não me importam tuas razões. DER-RO-TA.
    4) Professorinha = FAIL.
    5) Paixao platônica da Tati por uma certa dupla de professores de um certo departamento muito querido por membros deste blog? Nunca aconteceu. Lenda. Abesórdo. Nunca soube de tal coisa. Devia ser OUTRA Tatiana.
    6) Mallmann descrevendo a relevância dos discursos sobre academia foi a perfeição encarnada.
    7) Isso aqui virou um blog coletivo, né? Os comentários mais parecem uma chatbox.
    8) Eu não estou reclamando.
    9) O Tiago se acusando foi total WIN. Mas não lembro do Tiago pegando minas aleatórias na NEO. Não lembro do Tiago pegando minas na NEO.
    10) O Mallmann ia ter cagado o marido da professorinha à pau. Ou melhor, se ele fosse tirar satisfação com o Mallmann na NEO…. COITADO… Ia levar tanto pau, de tanta gente diferente… Ia ser bonito. Pô Mallmann, nunca me meti numa briga na NEO. Era a oportunidade…

  10. Renata disse:

    professorinha???????
    Por que? Ela era uma professora baixinha? Ou dar aulas pro ensino fundamental não nos qualifica pro grau normal, professora?

  11. Eu ia dizer que o Mallmann ia ter que se acertar com a Renata pelo professorinha, mas resolvi esperar.

    Ta-da!

    Agora te vira :P

  12. Ferrari disse:

    Rê, me fazendo de advogado do Mallmann e dando direito a sua ampla defesa, eu diria que o termo “professorinha” é o preferido de pessoas entre 24 a 30 anos devido à popularidade da série “Carrossel”, onde os alunos se referiam a _professorinha_ Helena.
    Epistemologia cirílica (do Cirilo, não da língua russa).

  13. Renata disse:

    compreendo… compreendo…
    a ideia, de fato, não era acusar ninguem pelo uso do termo. Mas é que depois de tanto tempo passado, era de se imaginar que vcs, futuros docentes, conseguissem ver que o bom professor simplesmente É, independente do nivel em que atua, professor (ou educador, como preferem as pedagogas). E professorinhas (e inhos) existem inclusive nas altas rodas academicas, trancados nas suas salas, fingindo que ensinam, pra alunos que fingem q aprendem.
    PRONTO: DESABAFEI! :)

  14. Habkost disse:

    Fabs, eu nunca peguei ninguém na neo, mas tive o meu fair-share de loucas/gordas/psicóticas/psicoativas. Mas de passado negro todos vivemos, né?

    o fabs tem razão. ia sobrar pudim de carne do sujeito que levantasse a mão pro malmann. era oportunidade perfeita de pegar PESADO.

  15. Bom comentario da mana, ali em cima.

    Eu não tenho passado.

  16. Habkost disse:

    claro que não fabrício. só algumas partes e, que não pega sol lá muito bem, tipo londres

  17. marta disse:

    “o melhor motivo para não usar drogas é ouvir o discurso de quem está sob o efeito delas. São bobagens.” Continua escrevendo,Fabricio, atitude,talento e bom senso estão presentes nos teus textos. Isso me orgulha muito.

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