Uma ontologia de sistemas mecânicos?

[Isso é um draft de um draft, que estou pensando se tem poder de fogo para fazer a transição pro Distropia, por isso o período de teste aqui]

A/C Carlos.

We can interpret the objector as arguing that the rule can be embodied in a machine that computes the relevant function. If I build such a machine, it will simply grind out the right answer, in any particular case, to any particular addition problem. The answer that the machine would give is, then, the answer that I intended.

The term ” machine” is here, as often elsewhere in philosophy, ambiguous. Few of us are in a position to build a machine or draw up a program to embody our intentions; and if a technician performs the task for me, ths ecpetic can ask legitimately whether the technician has performed his task correctly. Suppose, however, that I am fortunate enough to be such an expert that I have the technical facility required to embody my own intentions in a computing machine, and I state that the machine is definitive of my own intentions. Now the word machine here may refer to any various things. It may refer to a machine program that I draw up, dmbodying my intentions as to the operation of the machine. Then exactly the same problems arise for the program as for the original symbol ‘+’: the sceptic can feign to believe that the program, too, ought to be interpreted in a quus-like manner. To say that a program is not something that I wrote down on paper, but an abstract mahematical object, get us no further. The problem then simply takes the form of the question: what program (in the sense of abstract mathematical object) corresponds to the ‘ program’ I have written on paper (in accordance with the way I mean it)?

Kripke tem crescido exponencialmente na minha lista de interesses, patrolando a teoria de justificação do Tugendhat. Este ponto de reprodução de intencionalidade como uma linguagem “privada”, a partir de uma noção forte de ‘correspondência’, é genial. Claro, eu ainda acho que ela tem um probleminha de ordem epistemológica (qual seja, presumir uma correspondência forte do tipo externa-interna).

Porquê?

Porquê Kripke vai nos dizer que temos acesso direto aos fatos lá fora. Temos um fair degree de certeza sobre as nossas crenças que dizem sobre números, por exemplo. Para citar o Marcelo, em uma conversa pessoal, “cara, um palitinho é UM PALITINHO” – ele tava querendo me convencer que números era factuais.

Eu?

Eu sigo o Kripke no argumento sobre o uso constituir uma espécie de relevância ontológica das sentenças. Inclusive, isso não tá contrário ao Husserl ou mesmo Heidegger (me parece este o ponto da questão de compreensão existencial, que geralmete é confundida com algum tipo de ontologia totalizante – como é o caso de Totalidade e Infinito, que tenta criticar Ser e Tempo por não ter uma noção forte de diferença , o que não deixa de ser uma crítica interessante, mas ainda assim, desastrada). O problema é seguir, como Kripke segue, com a conclusão que estes estados de coisas não são hipotéticos, quero dizer, eles são FATOS, duros, existentes. Aqui, me parece o ponto que me impede de migrar definitivamente para uma leitura do tipo analítica – especialmente no que concerne a filosofia da linguagem -, não adianta tu seguir dizendo que alguns juízos são indiscutíveis (por exemplo, que ‘+’, é um sinal de adição em qualquer mundo possível, ou que se eu digo ‘+’ estou explicitando uma forma direta do mundo lá fora).

Isso é o caso quando temos uma linguagem de programação, com certeza. Porque explicitamos que os termos x,y,z,B estão para funções 1,3,4,& – portanto, if x then y . Não existe uma possibilidade de não-ser, é uma necessidade ontológica daquele sistema operacional. (daí a necessidade de bons programadores [Oi, Carlos!] entenderem um pouco de suposições de ontologia, ainda que eles mesmos não saibam estar operando com uma ontologia).

Mas o formalismo da linguagem de programação não é o nosso. E aí os limites que identifico tanto na justificação do Tugendhat – que é patrolada pela formalização do Kripke, diga-se de passagem – quanto no próprio Kripke. Ainda que operemos com um rigor semântico para limitar o nosso uso de linguagem em termos formais, este rigor, ele mesmo, é artificial. Ele é uma regra com a qual concordamos, mas que, ela mesma, não é factual. Daí o abismo entre, digamos, facticidade e fatos.

Mas o interessante, mesmo, é que este linguagem de programação, para o Kripke, é privada. Como, exatamente, isso acontece, eu ainda não entendi direito. Mas, dentro da estrutura boleana:

M=(S,I,R,L) [Oi, Derrida? Sim, chamou? S,e,c.? Sim, eu entendi. O que eu acho? Eu acho que não, hein].

onde (S,I,R,L) são predicações, nas quais uma série de estados de coisas possíveis (S) dos quais um set inicial de domínio (I) é selecionado, da onde vamos predicar enunciados (R) para um determinado nome (L).

Só que como o domínio (S) contém todas as possibilidades que podem ser nomeadas, e ele funciona internamente. Mais ou menos como aquele sistema operacional. O sistema não existe para além dos caracteres do sistema. Ele não sabe da existência de nada que não esteja contido em (S), por isso que o set precisa ser finito.

Daí que nossa forma de Reasoning, para o Kripke, segue justamente este modelo finito de predicações internas, onde todos os possíveis labelings (L) tem um referente interno real. Mais ainda, ele é temporalizado, no sentido que o estado de coisas possíveis implica em um domínio linguístico maior (I) conforme o indivíduo adquire mais informação. Mas o processo informacional, ele mesmo, segue as regras internas, privadas, de um jogo semântico prórpio.

É fácil perceber qual é meu problema com tudo isso em termos epistemológicos (eu sou um construtivista, e eu acho que este povo que tá falando de internalismo e externalismo precisa urgentemente dar uma acordada para o que se produz fora do universo Hume-Locke-Hobbes-Kant). Claro, estou sendo injusto.

Mas ainda assim, este fraseamento (S,I,R,L) me leva a defender um modelo fechado para a interpretação normativa. Porquê? Porque o direito é mais ou menos como um sistema operacional. Ou de certo não temos uma série de predicados possíveis (códigos, legislações, blah blah blah) dos quais implicamos um certo domínio (I) para chegar em um determinado enunciado (R) . Se não seguimos de forma transitiva e direta, acabamos com um ziriguidum desgraçado, ou com sugestões completamente dementes que implicam em colocar elementos ad-hoc em I, o que obviamente causaria um paradoxo em L.

Talvez, esta argumentação formal tenha me dado os elementos que eu precisava para me convencer que a virada hermeneutica precisa ser colocada em perspectiva com o rigor de um processo duro de justificação e internalização do discurso jurídico – porquê? Para evitar a emergência do que chamarei de fator WV, causado pela hiperbolização do domínio (I) e consequente ziriguidum.

Comments
4 Responses to “Uma ontologia de sistemas mecânicos?”
  1. Marcelo disse:

    Sugiro começar com Python =).

    http://www.python.org/

  2. Carlos disse:

    A discussao “externo” e “interno” eh boa pra butecar, mas eu acho que no fritar dos ovos ela nao interessa. Estritamente falando, eh impossivel saber se ha algo no “mundo la fora”. O nosso conhecimento eh “verdade” na medida em que ele conforma com as regras do jogo que a gente criou. E por isso, definicoes sao cruciais: para que as regras do jogo fiquem claras e os “objetos” com os quais a gente esta jogando sejam os mesmo.

  3. É, tu tá seguindo – como eu imaginei – o argumento do Searle.

    Na realidade, eu não diria que esta distinção não interessa. Se tu diz que ela não interessa, ela acaba voltando para te puxar o pé – tipo, a realidade social externa que o Searle tenta negar, acaba voltando para puxar o pé dele, já que ele meio que ignora os elementos “historicizáveis” desta realidade social – ou tu diria que este não é bem o argumento do Searle?

    O problema desta concepção de “verdade”, é que ela vai formalizar de forma excessiva – e no meu entender, linear – os processos de conhecimento. Tu tem um déficit dialético – ou mesmo fenomenológico – nestas compreensões de jogo.

    Claro, isso é extremamente útil se tu for falar de uma ontologia de sistemas operacionais. Tipo um software, ou uma constituição. Mas não sei se é tão útil para falarmos sobre como constituímos as coisas que tratamos no dia-a-dia.

    Outra coisa.

    Estes “objetos” com os quais a gente joga. Se eles são “objetos”, eles não precisam, eles mesmos, ter uma relevância externa? Neste sentido que eu disse que muitas vezes o cara trabalha com uma ontologia, e nem repara isso. :)

  4. Carlos disse:

    Talvez a melhor palavra nao seja “interessa”. Mas o que eu tentei dizer foi que eh impossivel chegar a uma resposta. Portanto, eh desperdicio de tempo tentar encontrar ela.

    Eu nao acho que o Searle nega a realidade social externa. Me parece que ele pensa que pode ser que sim, que ela exista (mas nao tem como saber ao certo). Eh uma daquelas duvidas que temos que viver com elas.

    Nao entendi o que vc quis dizer com “deficit dialetico”.

    A relevancia dos “objetos” so existe no nosso jogo. Fora dele, a utilidade dos objetos eh uma questao em aberto.

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