Quatro cds

Cara, este ano tá brabo.

Mais quatro cds que estão bombando nas reviews. Vou avançando, gostei muito de um, gostei um pouco do outro, achei o do meio pros lados méh, e um outro super-méh. Claro, eu, como sempre, na contra-mão da vanguarda, achei tudo o oposto da mídia-maldita-mentirosa.

Vamo lá:

The Horrors – Primary Colors

Mais uma banda influenciada por post-punk, mais uma banda que não consegue se segurar nas paradas. É bacaninha, alguns riffs bacanas. No geral, quando é bem sucedido, lembra Jesus and Mary Chain com uns toques de big-muff puxando pro som do My Bloody Valentine. Isso seriam 3 músicas (Three Decades, Who can Say, Do you remember). Sendo que Three Decades é praticamente uma cópia descarada de Only Shallow do MBV, mas com vocais audíveis. Senão vejamos:

Né?

Who can Say é definitivamente a melhor música:

E nem é tão boa assim, francamente.

Estas seriam as três primeira músicas do CD, que me deixou bastante empolgado. Uma pena que existem mais sete músicas. Que lembram  Sisters of Mercy, sem o fator machinho, e tentam desesperadamente copiar Joy Division e Bauhaus. Sem sucesso. Algumas coisas parecem poder funcionar em pista, mas o cd cansa, enche o saco. Dá vontade de ouvir os originais, ou a banda que eu mais gostei desta geração nova influenciada por post-punk- que atende pelo nome de  A Place to Bury Strangers.

Wilco – Wilco

Eu me esforço para gostar de Wilco. Sério. Eu quero muito gostar de Wilco, porque eu simpatizo com o Jeff Tweedy. Adoro chicago, e tal. Mas sempre me parece sempre uma versão piorada de Pavement.

Este album novo é bem legalzinho, é o tipo de música que tu coloca para receber os amigos, fazer uma janta, algo assim. Mas não é o tipo de som que impressiona, ou que dá vontade de ouvir o tempo todo. Tá, eu admito, ele melhora conforme tu ouve mais o troço – mas isso é característica deste tipo de música.  Parece ser um bom cd de estrada.

Deeper down é uma bela música, diga-se de passagem:

Apesar de tudo isso, por algum motivo, eu não consigo realmente gostar destes caras. Eu gosto do Yankee Foxtrot Hotel? Gosto. Mas meh, se tiver outra coisa para ouvir, eu vou colocar a outra coisa. E o A Ghost is Born? É massa. Prefiro ouvir Crooked Rain, Crooked Rain. E este album novo? Me deixa com vontade de ouvir, sei lá, Grateful Dead. Não é que eu não goste do Wilco, é que sempre parece que tem coisa mais interessante para ouvir.

Mais ou menos como ler Dewey, se é que vocês me entendem.

Mos Def – The Ecstatic

Melhor album de RAP desde o último do Jay-Z, e uma boa tentativa de ser cosmopolita. O Mos Def faz rap em espanhol, mixa música árabe, sampleia motown, coloca mistura de vocais indianos com o som da Stax. As vezes, é muita informação ao mesmo tempo, o que deixa o cara meio confuso. Mas no geral, Mos-Def dá o recado e usa elementos de guitarra junto com cordas para efeitos geniais. Supermagic resume todos estes elementos, inclusive “informação ao mesmo tempo”:

Das músicas deste album as que eu gostei mais são as mais convencionais, tipo Twilite Speedball e Pretty Dancer:

Achei massa os elementos de DUB na Pretty Dancer, dava para mixar prá dar um efeito pros lados do que o Saul Williams anda fazendo, e ia ficar bem divertido. Eu curto como este som de Rap menos POP – menos para os lados do Kanye, portanto – é parecido com o som industrial de raiz. Estas duas músicas podiam tranquilamente ser do My Life With the Thrill Kill Kut (melhor banda, melhor nome).

Do ponto de vista negativo, a mistureba nem sempre funciona. E as vezes irrita. Mas no geral, o album é muito divertido, bem executado e, coisa que faz falta,  um album de rap que não fala de fuzil, mulher pelada e grana.

Iggy Pop – Preliminaires

Eu tinha largado o Iggy Pop depois da volta dos Stooges. Tinha ficado chato, broxa, previsível. Então, quando todo mundo começou a falar mal deste album – assim como falaram mal do Avenue B, que eu adorei – pensei: hmn, talvez eu deva escutar este album. Adivinhem?

Tá sensacional.

Iggy Pop cantando em francês, imitando o Serge Gainsbourg, é algo. Assim como a versão de ‘insesatez’ é algo para entrar nos anais da coragem infinita. Sim, Iggy Pop cantando Tom Jobim. Ficou brega? CLARO! Ficou sensacional? SIM! Extremamente sensacional!

Oha, o album tem um quê de preguice. De fim de noite. Mas é o fim de noite oposto ao aquele da Tori Amos que eu comentei uns tempos atrás. Tipo, é o fim de noite a la Leonard Cohen, com aquela breguice que meio que cai bem meio ao camarada vomitando atrás do sofá. E combina com o Iggy Pop, também, que teve as bolas de fazer algo que não era esperado dele (qual seja: não ficar gritando, esgoelado, nào se jogar contra a platéia, estas coisas).

I Want To go To The Beach concorre à melhor música do ano:

Iggy Pop canta Tom Jobim:

Sim, este é o cara que ficou famoso por passar mantega de amendoim no peito e se jogar no meio da platéia, logo após de rolar por cima de cacos de vidros enquanto cantava “eu quero ser seu cachorrinho”. E sim, combina. Não, eu não enloqueci.

Eu gostei deste cd. Não espero que alguém concorde comigo, mas ia ser divertido se alguém se escalasse para achar divertido, para eu não ter que aguentar o lashback sozinho.

Para fechar, King of the Dogs:

Sensacional.

Comments
2 Responses to “Quatro cds”
  1. Moche disse:

    Cara, desses aí só ouvi o Wilco. Concordo em parte com a tua análise. Me parece que o brilhantismo da banda é justamente fazer bem o banal. Fazer um som “de adulto”, digamos assim, sem jamais perder a qualidade. Em todo caso, apesar de gostar de todos os álbuns do Wilco, para mim o A Ghost is born é disparado o melhor. Tipo, os demais (inclusive YHF) tiram nota 8,0. Gib é 10.

    The Horrors sempre achei um hype meio forçado, o Iggy não tive paciência ainda e hip hop eu não gosto.

    Reitero minha recomendação do Grizzly Bear, “apesar” de estar bombando na mídia musical.

  2. Acho Grizzly meio sem graça. E acho a pose deles irritante, tipo Of Montreal, saca?

    Sobre o som de adulto do Wilco, eu saco. Mas é um efeito Bruce Springsteen. É legal, é bacaninha, parece ser um show divertido.

    Mas tem um elemento MEH.

    Saca, meh?

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