Paul Auster::Man in the Dark

Mais um Auster, que terminei de ler aqui no pátio em uma sexta feira escandalosamente bonita.

Bueno, é um livro mais convencional do Auster, ainda que eu seja capaz de encontrar algumas referências ao universo do New York Trilogy ou  do livro vermelho. É sempre bom voltar a ler o Auster, é um autor cuja prosa se tornou familiar e cuja leitura flui duma forma rápida, quase orgânica – eu tenho esta relação com poucos escritores, talvez Poe, Eco, Dostoiévsky e Kafka tenham este efeito.

O Auster repete o esquema do livro-dentro-do-livro, mas desta vez a coisa não é tão radical quanto no Dia do Oráculo ou no auto-biográfico Viagens no Scriptorium. Não é o melhor livro que eu li do Auster, e creio que a produção pós-folias no Brooklin não está no mesmo nível do Livro das Ilusões-Dia do Oráculo-Folias no Brooklin.

Ainda assim, esta história de duas guerras – que podem ou não podem ser imaginárias – é fascinante, e o livro adquire um ritmo ensurdecedor no final – coisa que muito me agrada. Talvez este possa ser um daqueles livros para indicar como introdução para quem quer começar a ler o Auster – muito embora o Folias no Brooklin ainda seja a obra prima do autor (mas meu livro preferido é o Livro das Ilusões e/ou City of Glass).

Não achei o livro tão político, diga-se de passagem. Me parece muito mais um livro sobre quotidiano do que o manifesto que alguns críticos encontraram. Inclusive, a coisa mais interessante deste livro é como ele maneja falar sobre quotidiano em um cenário de guerra/conflito.

Ao contrário de outros leitores assíduos do Auster, eu não acho que ele tenha ficado exatamente previsível. Mas ele criou um padrão de narrativa e historietas – mais ou menos como o Kakfa, um dos heróis do Auster – que pode cansar. O outro fator, é que  o cara é um tanto egóico, quero dizer, deve ser o terceiro ou quarto livro do Auster que me parece fazer referência à ele mesmo como um personagem. Nada contra, é um recurso bacana. Mas entendo quem acha que isso torna ele repetitivo. Pessoalmente, não concordo. Mas isso não tem qualquer inflação, é só uma opinião não-técnica de alguém que vê literatura como passa-tempo (embora eu seja um arrogante e elitista confesso sobre o assunto, mas eu sou arrogante normalmente e não vejo nada de eminentemente errado com elitismo literário, afinal, é só literatura).

Agora, tenho um livro da Jhumpa Lahiri para ler ali na estante, mas tenho trabalhos para terminar e coisas para fazer. Vai ter que ser leitura noturna.

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