Tendência

Hoje é o último dia no qual os calouros (suspiro) arrumam suas tralhas ao redor do campos antes do início do semestre letivo propriamete dito. Isso significa, entre outras coisas, uma correira ensandecida de novatos e distribuição de iguarias gratuitamente em todo o raio da universidade, compreendendo o Student Center, o Health Center e o Fitness Center.

Eu acordei as oito da manhã, com a Tati me pedindo uma mão para levar ela na faculdade, que ela tava atrasada para a reunião de departamento. Três horas de sono, vamos. Surpresa: carros enfileirados na outra pista. Explicação? Pais de estudante indo dar os tchauzinho para os recém-instalados sub-gente graduandos.

É o meu segundo freshmen party por aqui, terceiro da tati. Ano passado eu era “calouro”, de forma que poderia até achar tudo muito novo e interessante (não achei, achei uma puta duma viadagem). Mas enfim, não se preocupem, eu tenho quase certeza que quero chegar em algum luga com o este texto.

Bueno, como oito da manhã faziam exatas três horas que eu tinha ido dormir, meu plano original era chegar em casa e voltar para a cama. Acontece que o universo – este imbecil – tinha outros planos. No caso, uma insonia matinal abateu-se sobre meu ser e tive que restar com o saco cheio até as dez horas meu sistema nervoso resolver que era hora de desligar.

Re-ligo ao meio dia, ou algo parecido, com a Tatiana me ligando em torno das 12:40, me dizendo que não ia conseguir imprimir o trabalho do Foucault. Vou para o departamento (desta vez caminhando) e ouvindo Sepultura (A-Lex, excelente) enquanto penso no quanto este último seminário foi uma completa e ridícula perda de tempo.

Chego na secretaria.

“Ms. Sandra, Is anybody at the study room?”

“Yeah, a public defense”

“I guess I’ll have to print at the Zoo, then”

“Sure thing”

[Dona Sandra, o fluor vai matar as minhas defesas naturais?

“Sim, uma defesa publica”

“Meus preciosos fluídos corporais, então!’

“Com certeza”]

Diante disso, fui ao Zoo [apelido carinhoso do local de reunião dos alunos de pós-graduação, nas palavras da outra-secretária ‘Because you guys are just a bunch of animals’ – “Já que vocês todos gostam de danoninho”]. E no Zoo imprimi o paper. Claro, com o fone de ouvido, já que a última coisa que eu quero é falar com meus colegas. Em todos os casos, o gordo [aluno novo] do meu lado pergunta “Tu é um aluno aqui”, ao que eu respondo “Não, eu sou a nonna-benta. E vim aqui sugar tua alma”. Seguido disso, ele adiciona “Estás imprimindo um paper?”, ao que eu respondo “Não, eu sou a nonna-benta. E vim aqui sugar tua alma”.

Não satisfeito, o gordo [não perguntei o nome, não pretendo] continua a dissertar sobre as possibilidades do meu artigo. E pergunta “sobre o que escreveste?”. “Sobre a relação da bunda da tua mãe com o tamanho da tua barriga. Presumo que a tua mãe deve ser a Groenlândia”. Terminei de imprimir, menti pro gordo que vou no encontro dos alunos amanhã (no mesmo horário, estarei demasiado ocupado fazendo qualquer outra coisa) só para não ter que me apresentar. Pego o paper, clipo o paper, coloco o paper no escaninho do professor.

Saio da faculdade, ouvindo o A-lex, ainda. Embora o gordo tenha me feito parar – infelizmente, pausei a música, depois me liguei que teria sido extremamente eficiente manter os fones nos ouvidos e falar da NONNA BENTA aos BERROS, para não perder We Lost You no meio do solo do Andreas. Enfim, eu souuma pessoa demasiado educada.

Volto para casa, desviando dos indivíduos tentando me alcançar flyers com propaganda de apartamento, propaganda de igreja e propaganda de carro com a frase de ordem “I am second year, get out of my way” [“As plantas de cana do Azerbaijão são doces”], enquanto a última parte do album do sepultura berra nos meus ouvidos.

Atravesso a ponte que leva para a ruela que sobe até o Southern Hills, chego em casa 2:50 (eu mencionei que ainda não almocei?), vejo meu email, e meu orientador quer falar comigo. Quando? “At 3:30, I realize this is kinda short-notice” [“Ula-ula-de-láá, Quebra-quebra-da-qui-i-O-baia-iai-iaia-ia-É-o-tchan-no-hawayyyy”]

Faço quatro torradas. Como três e meia. Saio de casa 3:25, chego na casa do orientador 3:40, depois de quase atropelar dois graduandos perdidos, e me desculpo pelo atraso.

Conversamos sobre várias coisas, inclusive nosso ódio mútudo pelo período arqueológico da filosofia de Foucault, e nosso completo descaso pela filosofia tardia de Derrida. Também falamos de café, e algo me diz que aquele espresso é o motivo pelo qual eu ainda não consegui parar quieto desde as cinco da tarde.

Chegando em casa, eu ainda tinha ilusões que faríamos Burgers e reuniriamos o pessoal, e que enfim eu poderia, sei lá, iniciar o fim de semana no espírito apropriado para a temporada [In short, I intended to go comatose drunk, but let us leave that at that]. Tatiana resolveu que era hora de ir fazer coleta de tralhas no Fitness Center (Rec Center, pros íntimos), afinal de contas, quem precisa comprar canetas quando podemos pegar umas TRINTA de cada banquinha e ter canetas pro resto do semestre? Isto sem falar em chaveirinhos, caderninhos, blocos de notas, adesivos, descontos no Fat Patties (falarei extensivamente do Fat Patties, mas apenas com foto) e coisas nesta linha.

De volta para o apartamento, descobrimos em quinze minutos que as chances de rolar alguma coisa com o nosso pessoal era próxima de zero kelvin, de forma que acabamos resolvendo ir para o Midland Inn.

O Midland Inn é um restaurante lancheria pub casa de jogos taberna na estrada velha (Old 13 HWY) entre Carbondale e Murphysboro. É um bar de motoqueiro, graciosamente livre de indivíduos vinculados à universidade, que costumam ter certo PAVOR dos locais e do seu cheiro de povo. Eu também odeio povo, é claro. Mas por motivos diferentes. Já que eu tenho um fascínio inesgotável por lixo, ir nestes bares onde os locais discutem a última coluna da Ann Coulter (Olavão de saias, imperdível. O Walter achou comível, eu acho meio aguada) e a caminhada inexorável dos Estados Unidos rumo ao socialismo. sempre me diverte profundamente. Além disso, o hamburguer duplo – com bacon e duas fatias de American Cheese  – seguido de  Beer-Battered Onion Fries certamente não atrapalha.

Só que chegar no Midland Inn é uma beleza. Já que estamos falando de estradas velhas. Percebam, as estradas novas, tem uma iluminação que só pode ser descrita como piada. As estradas antigas, então, podem ser descritas como campos de caça a viados, onde o instrumento de caça é o teu carro. Basicamente, elas são habitadas por animais silvestres (Guaxinins, Gambás, Viados, Rednecks e outras espécies locais) que não reconhecem o carro como ameaça, ou se reconhecem, ficam olhando para o carro conforme ele se aproxima, com olhos chapados pelas luzes.

Portanto, cheguei no Midland Inn depois de perder a entrada da estrada que ia parar lá (tava escuro, e tinha uma patrola com a luz alta ligada atrás de mim), entrei em uma estrada privada (é, eu sei) para dar uma ré e voltar para o acesso ao Ponei Saltitante Midland Inn.

(se eu tinha algum objetivo com este post, ele se perdeu na entropia do universo, como vocês já devem ter reparado)

Ou não,

Calma aí.

Ah tá.

Daí, tava eu lá com a Tati, os caipiras discutindo como o Equador é uma merda porque tudo lá no Equador é público, e quando é público não funciona, e o Obama is gonna take y’ll those things with all that talk on socializing healthcare and y’ll see that y’ll become like Equador [“Os Gremlins são criaturas meigas e queridas, exceto se vocês jogarem agua neles”].

Mas muito embora tudo isso.

Cara, o Double-Cheeseburguer with bacon e battered fried onions estava sensacional.

Agora eu vou ali capotar na cama e me perguntar porque diabos eu ainda tenho um blog.

Comments
5 Responses to “Tendência”
  1. Ferrari disse:

    Ok, Fabs, isso foi estranho. Tu não pode escrever posts engraçados, eu refuto mentalmente.
    Aliás, não apareceu um redneck na taverna essa pedindo ajuda pra tirar o motoqueiro necromante de sua aldeia?

  2. Ferrari disse:

    Substitua”aldeia” por “Casa Branca” e “motoqueiro necormante” por “Obama” e o efeito será o mesmo.
    Aliás, quantos XP será que dá matando o Obama ?

  3. Urubu King disse:

    Fabs, só para responder um post anterior: eu te acho bastante nerd, sim.

  4. Marcelo disse:

    Só o bacon salva, irmãos.

  5. Moysés disse:

    tem maracujina aí pra vender?

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