Indignação

Daí, eu passo pelo stand do LATIN AMERICAN HERITAGE MONTH ao lado da Starbucks. Sempre tento ignorar, mas hoje dei uma olhada para o lado. Entre o poster de diversos escritores e figuras latino americanas de quem jamais eu tinha ouvido falar – jamais! – tem lá no alto o poster do profeta maior da latinidade.

Luis Ernesto de La Fucking Sierra Guevara.

Eu fico pensando nas diversas alternativas de figuras que poderiam ser menos constrangedoras do que o Che. A resposta é rápida: praticamente qualquer um.  Che Guevara foi um asno. Um guri criado nas melhores escolas de Rosário, filho da classe média alta argentina, enfim, um playboyzinho que inventou de ler o capital e achava super bacana tentar mudar o mundo – ou seja, um completo retardado mental. Nada contra idealismo, especialmente até os 23, quando a coisa ainda é suportável do ponto de vista cognitivo. Mas depois disso, o cara que continua vendo o mundo em termos de preto-e-branco precisa – urgentemente – perceber que a coisa não é bem por aí.

Mas estou divergindo. A verdade é que eu me sentiria menos ofendido se fosse o Zé Carioca ou o Mazaroppi naquela porcaria daquele poster. Daí o pessoal nos tira para um bando de èxotique e a gente não sabe porque. Nosso rei eleito, símbolo maior, é um retardado mental que acreditava em pegar em armas para mudar o mundo. Talvez, depois de conhecer algumas das figuras do Latin American Studies, seja justo. Talvez seja isso mesmo. Talvez no grosso esta representação do tipo “bando de comedor de banana e agitador” seja exatamente o que a gente merece.

Especialmente porque a impressão não muda. Entra e sai ano, tá lá o Che de representação da rebeldia latino-americana. Do geist renovador. Do espírito revolucionário. Este pessoal não percebe que a única diferença entre o Che e o Pinochet é a cor do uniforme, e que um teve a competência de se manter vivo por mais tempo. São a mesma escória, os mesmos retardados morais que continuam nos representando sistemáticamente para o consumo externo.

Sério, vou participar desta porcaria deste Latin American Heritage Month para ficar gritando “La acumulazion del capital configura crime contra la Humanidad!” e “Non Passaran!”. Vou virar o mais popular brasileiro entre a comunidade colombiana de Carbondale.

Comments
27 Responses to “Indignação”
  1. Moche disse:

    Não creio que seja possível EQUIPARAR Che ao Pinochet. Da mesma forma, não há exata simetria entre comunismo e nazi-fascismo. O comunismo tem consigo uma esperança de justiça que o fascismo não tem. Adota meios totalmente equivocados e deságua em violência totalitária, sem dúvida, mas não vejo possível uma equiparação tão exata. Bem ou mal, o comunismo é herdeiro do iluminismo (inclusive nas suas fraquezas) e justamente por isso carrega consigo a idéia de igualdade. O que não justifica, sem dúvida alguma, toda violência que gerou, nem a perseguição de inimigos políticos, etc.
    De outro lado, não vejo nenhum problema na foto de Che. Também não vejo nada de errado com a agitação. Ãcho massa, inclusive, embora nunca tenha tido – nem antes dos 23 – camisetas do Che ou adesivos, nem sequer admirado Cuba ou Marx.

  2. Eu digo que eles são esquiparados enquanto individuos que patrolaram milhares (e patrolarião milhões, se pudessem) para levar em frente seus respectivos projetos de poder e suas respectivas ideologias. Neste sentido, só muda a cor do uniforme.

    Eu vejo os problemas que listei ali em cima com a foto do Che. O que, exatamente, ele representa? A vocação latino-americana para chimarrão e gritaria (Apud VALDEVINO, Uálter. 2006-2009 in conversa pessoal)? Neste caso, não acho ele um bom representante de coisa alguma.

    De quebra, a retardada mental da Isabel Alende tá lá no poster como ESCRITORA MAIOR. Por deus, se a gente fosse tipo, sei lá, Burkina Faso e não tivesse nenhum escritor digno de nota, eu até entendia. Mas em um universo com a atividade intelectual que a gente tem, colcoar ISABEL ALENDE e CHE como representativos?

    Porra, Borges e Bolivar. O Bolivar de verdade, não o da revolução bolivariana… Já que PRECISA fazer estas asnices de “representação cultural” (reflexo americano para maquiar condescendência, nunca vi a semana da celebração WASP)

    Enfim, you get my point…

  3. Tatiana disse:

    Eu acho que nós deveriamos começar o WASP Heritage Month. :P

  4. Ferrari disse:

    Acho que o Che é um símbolo antes de uma pessoa, só isso. Se esse símbolo serve para que ou para quem são outros quinhentos, mas É um símbolo (assim como o Smiley, o “paz e amor”, essas coisas). Portanto acho adequada a colocação dele.

    Só por curiosidade, que personalidades brasileiras tinham?

  5. Nenhum. Os latinos nao nos reconhecem enquanto latinos.
    Melhores para gente.
    Ser latino só não é mais derrotado do que ser gaúcho.
    E ser gaúcho só não é pior do que ser porto alegrense.

  6. Ferrari disse:

    Pois é, esqueci que quem não parece mestiço não é latino. Atóron o conceito racial que ainda usam aí.
    Aliás, estou fazendo um seminário ótimo sobre a instrumentalização do conceito de raça em vários períodos pós-sec XVI.

  7. Pior são os colombianos com ORGULHO e as bandeiras tremulando. Cara, eu não tinha idéia de como os caras da área BOLIVARIANA são nacionalistas. É assustador

    Dá vontade de dizer:
    “Oi, vocês tão celebrando o que torna a américa do sul um dos lugares mais derrotados do planeta. Admitam: vocês são parte de uma civilização derrotada e patética. Superem.”

  8. Ferrari disse:

    Tá, e eu te pergunto, que nacionalismo que não faz isso?

  9. Nenhum. É tudo o mesmo lixo.

  10. “Tradição dos Oprimidos”, do Walter Benjamin, inclusa como parte deste mesmo lixo inominável.
    Algumas mais ou menos ofensivas, mas tudo lixo.

    (joguei tudo no ventilador, mas que se dane)

  11. Tatiana disse:

    A única surpresa é que pessoas (a princípio) “esclarecidas” (mestrandos e doutorandos) se deixem levar por uma retórica tão simplista (o nacionalismo do Latino Heritage Month, neste caso).

  12. Ferrari disse:

    Então. Não é coisa de Colombiano :p

  13. Tá, é coisa de colombiano no contexto. Se bem que de vez enquando tu vê os cabeções com as camisas escritas BRASIL, parecendo uns periquito.

    Vergonha alheia imensa e sem limite.

  14. Tatiana disse:

    Sem falar na GAUCHADA, né?

  15. Pessoas esclarecidas, especialmente entre aspas, tem uma propensão grande a se deixarem encantar por retóricas bonitinhas. Além do mais, não confio em ninguém que leve Salsa à sério.

  16. Já disse:
    A única coisa mais despresível que ser Latino é ser Gaúcho.

  17. Sabe o que é desprezível? Escrever despresível. Isso é bem desprezível.
    Deus do céu, tô ficando analfabeto.

  18. Habkost disse:

    Fabs, vou abrir um CTG white power, e vou conversar com os meus amigos KKK daí. Vão te pegar na esquina

  19. Renata disse:

    Olha só, eu consigo entender um pouco o sentimento de nostalgia que bate em quem esta longe de casa. Não, não creio q isso justifique descer “na boquinha da garrafa” no meio da rua, fazer batucada em aeroporto ou cantar “meu brasil brasileiro” numa gondola, mas enfim… tem gente sem noção no mundo inteiro, nés?
    É mais ou menos como o fato dos defeitos de vcs terem desaparecidos por estarem passando uma temporada no estrangeiro. A gente tende a sentir saudades das coisas boas (deve existir algo de que vcs sintam falta, aqui abaixo do equador, nem q seja das praias), e deletar o fato dos maus humores matinais ou na hora da fome (ne, fabs). O que deve explicar as camisetas verde-amarelas, a salsa, uma eventual cuia de chimarrão, as camistas do Che.
    De qquer forma, já encomendei duas camisetas com a frase “AHHH, eu sou gauchooo!” pra mandar pra vcs de natal. Espero que aproveitem no proximo evento latinoamericano. :)

  20. Sérgio disse:

    Já “baixei” os CDs do Gaucho da Fronteira – Live in Uruguaiana e The Best of Porca Véia, raridades, para vcs mostrarem no próximo evento…

  21. marcosfanton disse:

  22. paulo disse:

    Precisa,para esse evento,Cd do CALCINHA PRETA,AVIÕES DO FORRÓ,PLAYS DO FORRÓ ou algo semelhante?

  23. Denis disse:

    Cara, tu só precisa de um argumento contra o che: “ele é argentino”.
    Ponto, nenhum argumento vence esse.

  24. Urubu Rei disse:

    Fabs, esqueceste de citar que o Che fugiu pro mato porque não gostava de tomar banho. Tá, esse foi UM dos motivos. Tá, não foi um dos motivos, mas ele REALMENTE não gostava de tomar banho e, no meio do mato, o pretexto era perfeito (embora água não faltasse, e embora os demais silvícolas em geral sejam muito higiênicos).
    Quanto ao Che, eu acho que realmente equivaleria, para mim, a colocar ali uma foto do Pinochet. Não pelo grau de criminalidade (francamente, o Pino matou mais gente) mas pela idiotice de ambos. Um dos problemas do Pino é que ele nunca cunhou uma frase suficientemente êmo como “hay que endurecer pelo sin perder la ternura”. O que a gente ia escrever em camisetas com a cara do Pino? “Que lo entierren en Cuba”?
    Fabrício, tu andas muito amargurado. O problema é que nasceste na Serra e depois foste pra Porto Alegre e depois pros EUA. Te garanto que um mês na campanha curando bixeira e agarrand terneiro à unha ia te fazer bem.

  25. Chicó, apesar da evidência contrária eu NÃO nasci na serra. Quero dizer, nasci na serra no sentido que nasci IMERSO naquela “lógica”(hahahaha). Mas nasci em porto alegre, pelo menos fui poupado de nascer no Bom-Fim (thank god for small graces).

    Sobre a armagura: eu sou um docinho, isso aqui é pura pose.
    Sobre a tua proposta: sim, campanha. Quero ir caçar javali com vocês quando do meu apoteótico retorno.

  26. Em tempo: de fato o pinochet matou mais gente. Mas ele também teve mais tempo :)

  27. Finalmente: Marcos, pega o Skank e enfia.

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