Paulo Coelho enquanto contra-cultura

Calma, longe de mim querer elogiar a qualidade literária de Paulo Coelho.

Mas tem uma coisa interessante no ex-parceiro do Raulzito, que é a exposição da completa incapacidade da crítica literária. Quero dizer, os críticos literários odeiam Paulo Coelho, chamam ele de fraude, não compram os livros dele, acusam de ser uma grande duma porcaria. E no entanto, continua sendo um autor importante na vida de muita gente. Talvez as pessoas adorem lixo, talvez as pessoas simplesmente não se importem, talvez a moça que passa o dia em um trabalho de merda ouvindo lixo do patrão não tenha o menor saco para ler James Joyce – talvez James Joyce não tenha nada para dizer prá essa moça, também.

Literatura não é relevante, é claro. E talvez por isso os críticos literários não entendam Paulo Coelho. Paulo Coelho entende que a literatura se torna mais apelativa na medida que ela reconhece a sua irrelevância. Não acho que o Paulo Coelho seja diferente, por exemplo, do Nick Hornby, os dois fazem ficção fácil, de leitura rápida e poder ofensivo nulo. A diferença talvez, é que o Paul Rabbit integra os seus leitores de forma interessantíssima – quem acompanha o Twitter dele, por exemplo, vai ver ele dando dicas de como achar ele, de como falar com ele, “estou no hotel que meu personagem ficou no livro tal”. Este tipo de atitude é ,  somado com a recente disponibilização de toda sua obra via torrent, que me faz gostar do Paul Rabbit. Quero dizer, jamais consegui ler um livro dele até o final – e creio que nunca vou conseguir. Mas tem algo para ser reconhecido aqui, que é o quanto o Coelho se coloca muito mais contrário ao Establishment literário-cult do que alguém como, digamos, Irvan Welsh.

Enfim, tudo isso para dizer que eu não consigo – por mais que eu tente – desgostar do Paulo Coelho. Na realidade, tenho mais simpatia pelo sujeito do que por 99% dos “sofisticados” autores que fazem a festa de senhoras intelectualizadas do Bela Vista e jovens com cara de intelectual atormentado.

Comments
5 Responses to “Paulo Coelho enquanto contra-cultura”
  1. G.D. disse:

    MINHA teoria:

    OK, picaretasso, sem duvida.
    OK, escreve trivialidades ‘new age’ que se encaixam em QUALQUER contexto, de QUALQUER vida, de QUALQUER pessoa de QUALQUER parte do mundo.

    Agora: em um mundo como o de hoje, um cara que consegue ENGANAR o planeta inteiro e (mesmo diante do pluralismo avassalador) DAR LETRINHAS que sao palataveis para gente desde TEEHRAN ate BRUXELAS (passando por Caracas, Mumbai e New Jersey) merece um pouquinho de respeito, nem que seja para respeitar ele como o K.O-MASTER do Universo.

  2. marcosfanton disse:

    Agora é só fazer One Thousand Paul Rabbits: http://vimeo.com/4198870

  3. DNS disse:

    Alguem descobriu por que ele estava na candidatura do Brasil nas olimpiadas?

  4. Marcelo disse:

    “Oi, eu sou o maior best seller do mundo, atualmente, vi essa turma oda aqui do lado de fora da minha casa e vim ver o que era”

  5. Renata disse:

    Não sei se concordo contigo qdo escreves q literatura não é relevante. Tu poderia, fazendo o favor, escrever mais sobre essa afirmação?

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