Mulheres. Espiritualizadas. Fazem. Mais. Sexo.

Do terra.

Até que ponto a espiritualidade pode ser algo sensual? Pesquisadores da Universidade de Kentucky foram tentar ver o quanto a esse fator pode afetar a vida sexual de uma pessoa adulta e chegaram à conclusão que especialmente para mulheres tem um efeito maior que religião, impulsividade e álcool.

Ok, espiritualidade é diferente de religião. Portanto, esta pesquisa da Universidade de Kentucky consegue separar a experiência espiritual da experiência religiosa. Não apenas isso, a experiência espiritual (oi, Hegel chamou?) tem efeitos independentes da experiência religiosa, impulsiva e alcoolica.

Muitas pesquisas já haviam sido feitas antes em torno de religiosidade e sexo, mas esta é a primeira vez que as qualidades da espiritualidade (mais do que religião em si) foram estudadas, a saber conectividade, universalidade e satisfação através da oração. O que acontece é que o relatório final chegou á conclusão de que a conectividade com outros seres humanos é o principal motivo que leva as mulheres a mais sexo com mais parceiros, em muitos casos sem preservativos.

Religião-em-si. Só eu que tô rindo sem parar pensando nos textos de Kant sobre a religião e como ele reagiria diante desta matéria (não respondam, eu já sei que sim). Mas vamos lá: conectividade (!!!), universalidade (!!!) e satisfação ATRAVÉS DA ORAÇÃO marcam a experiência mística (que não é religiosa). Portanto, você! mulher frígida! antes de trepar, favor rezar um pai nosso, uma ave maria, universalizar a experiência (sugiro ler a Metafísica da Moral do Kant primeiro – mas não na cama, pelo amor de deus, não leva o Kant prá cama! – , para entender o que tá em jogo na universalidade, em caso de preguiça, pode ler a versão resumida) olhar pro marido (conectividade) e dizer “behn, tô tão feliz [satisfação]! é hoje!”. Mas cuidado, minha amiga. Afinal, parece que a conectividade tem um fator de ampliação, já que “leva mulheres a mais sexo com mais parceiros“. Portanto: maridão, se tua mulher tá te procurando – misteriosamente – mais que uma vez por semestre, e tu tá começando até a suspeitar que ela gosta do troço, eu sugiro entusiasticamente tu verificar se ela tá com um livro de oração na gaveta dela. Caso positivo, sugiro procurar o advogado para a separação imediatamente.

Uma das pesquisadoras, Jessica Burris, explica que acreditando que se está intimamente ligado a outros seres humanos e que a interconectividade e harmonia são indispensáveis, pode levar uma pessoa a acreditar que a intimidade sexual é uma qualidade divina ou transcedental. E complementa: “atribuir qualidades sagradas ao sexo foi positivamente associado a reações afetivas em relação a ele, à frequencia de sexo e o número de parceiros nas universitárias entrevistadas”.

“Acreditar que a intimidade sexual é uma qualidade divina ou transcendental”. E a gente perdendo tempo estudando filosofia Marcos e Walter (tá, tu não Walter, que tu não te ocupa com estas coisas)! Olha só! Divino e transcendental ainda são termos co-relativos!!! Ok, ok, é uma questão de crença. Então é indipensável crer que transcendental e divino são relativos – sugiro a leitura deste textinho para entender como diabos alguém pode crer isso no século XX. Adoraria que um epistemólogo de plantão (pode ser até leitor de Davidson, viu Marcos? A gente releva) nos ajudasse a entender como uma atribuição de qualidades sagradas é sequer possível senão como um ad-hoc. Em caso de especial vontade de perder tempo, gostaria que alguém (pode ser a Tati, que anda estudando causalidade) pudesse demonstrar como esta progressão é sequer possível…

Ah, maridão. Lembra do divórcio que eu tava comentando? Escuta só. Tem base na pesquisa, já que…

Entre os homens entrevistados, porém, o resultado foi completamente diferente. Os mais espiritualizados foram aqueles com menor frequência sexual, e os pesquisadores acreditam que para o público masculino sexo não está relacionado com espiritualidade já que não é necessariamente uma porta para a intimidade e sim prazer. O estudo foi feito com 353 estudantes (65% mulheres), que responderam a perguntas sobre vida sexual, religiosidade, uso de álcool e impulsividade.

Ou seja, a tua mulher espiritualizada pode tá te procurando uma vez por semestre. Mas tem uma possibilidade bastante alta dela tá procurando outros homens não espiritualizados para ter uma palavrinha com eles. Então: cuidado. Se tua mulher se tornar espiritualizada, ou ser espiritualizada, eu sugiro a leitura imediata de Dawkins – não na cama. Digo isso não pela questão do Dawkins estar certo, mas apenas no meu interesse de salvar teu casamento e ainda por cima tornar tua vida sexual mais interessante.

Fica o recado.

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