Hitchens e o atentado no quartel

Hitchens:

I do not say that all practitioners of woman-hating, anti-Semitic, sadomasochistic suicide immolations are themselves insane, but I do say that the teaching itself is demented. In the same way, I do not say that all Muslims are terrorists, but I have noticed that an alarmingly high proportion of terrorists are Muslim. A paranoid or depressive person—of whom we have many millions in our midst—does not have to end up screaming religious slogans while butchering his fellow creatures. But a paranoid or depressive person who is in regular touch with a jihadist “spiritual leader” is presented with a ready-made script that offers him paradise in exchange for homicide.

Digam o que quiserem, mas este sujeito escreve muito bem. Por sinal, sempre vale lembrar:  ao contrário do que o Satanaldo te disse, ele não é NADA parecido com o Hitchens.

Case in point:

This is not at all a matter of the usual stupid refusal of the FBI and other security services to understand an early warning even when they have detected one. It is a direct challenge to the unity and integrity of the armed services, which have been one of our society’s principal organs and engines of ethnic and religious integration. A U.S. soldier who wonders about the reliability of his, let alone her, Muslim colleague is not being “Islamophobic.” (A phobia is an irrational or uncontrollable fear.) If Maj. Hasan has made this understandable worry in the ranks more widespread, he has done his fanatical preacher friend the greatest possible service. But that’s his fault for doing what he did, and his superiors’ fault for letting him openly rehearse it for so long, not mine for pointing it out.

Discutam.

Comments
12 Responses to “Hitchens e o atentado no quartel”
  1. Urubu disse:

    “Digam o que quiserem, mas este sujeito escreve muito bem.”

    Assim como o Céline e outros racistas miseráveis que um dia, com o Hitchens e demais defendedores de churrasco de criancinha com fósforo branco, irão parar no fundo do lixo da história (com a diferença de que o Céline escreveu o maravilhoso Viagem ao Fim da Noite, e o Hitchens não).

  2. E eu imagino que tu tenhas a clarividência moral e histórica para saber quem vai ou não vai pro lixo? Além do mais, qual afirmação do Hitchens, exatamente, foi racista?

  3. Urubu disse:

    É claro que eu tenho clarividência, de origem naturalmente divina, mas não clarividência “moral”, porque eu deixo esse adjetivinho – “moral – para quem gosta de ajuntá-lo àquele substantivinho, “superioridade”, formando a mágica dobradinha “superioridade moral”, que é uma linda desculpa para ser racista e ao mesmo tempo parecer progressista e sair colonizando a terra dos outros – tipo o Hitchens e outras cabeças de lixo bem-pensantes. Em tempo, qualquer pessoa que defenda as coisas defendidas pelo Hitchens – tipo, massacres, torturas, ocupações ilegais – é ou racista, ou boçal. Além disso ele é um ignorante que fala sobre o que não conhece, como o Richard Dawkins.
    PS. Quem foi para o lixo, naturalmente, foi o Céline enquanto pessoa política, não a obra dele. Já do Hitchens não conheço nada que mereça sobrevier à sua queda no arraial fundo da bobagem.

  4. Me mostra uma citacao do Hitchens defendendo Tortura que eu retiro todos os elogios que ja coloquei aqui para ele.

    Eu posso te mostrar pelo menos cinco textos dele rechacando tortura diretamente.

    Quanto ao não saber do que estão falando, acho no mínimo curioso que Oxford e Cambridge mantenham em seus quadros pessoas que são tão obviamente burras e mal informadas.

  5. Urubu disse:

    Fabrício, o Hitchens deu uma PALESTRA em Beirute dizendo que não tinha nada demais em “waterboarding suspects”. Depois ele veio se desdizer afirmando que, oh, “waterboarding” é tortura sim, e que ele gostaria que não fosse praticada pelos maravilhosos defensores da América, mas ao mesmo tempo sente peninha dos pobres asseclas do Dick Cheney que têm de ganhar a vida afogando o turco:

    “These heroes stay on the ramparts at all hours and in all weather, and if they make a mistake they may be arraigned in order to scratch some domestic political itch. Faced with appalling enemies who make horror videos of torture and beheadings, they feel that they are the ones who confront denunciation in our press, and possible prosecution. As they have just tried to demonstrate to me, a man who has been waterboarded may well emerge from the experience a bit shaky, but he is in a mood to surrender the relevant information and is unmarked and undamaged and indeed ready for another bout in quite a short time. When contrasted to actual torture, waterboarding is more like foreplay. No thumbscrew, no pincers, no electrodes, no rack. Can one say this of those who have been captured by the tormentors and murderers of (say) Daniel Pearl? On this analysis, any call to indict the United States for torture is therefore a lame and diseased attempt to arrive at a moral equivalence between those who defend civilization and those who exploit its freedoms to hollow it out, and ultimately to bring it down. I myself do not trust anybody who does not clearly understand this viewpoint.”

    Ou seja, “waterboarding” é ruim, gente, mas funciona, então não vamos por a culpa nos coitadinhos dos torturadores! E processar algum estadunidense por torturar turcalhões incivilizados? Ai, que horror, isso chega a doer na minha glândula da liberdade democrática ocidental judaico-cristã civilizada moralmente superior, etc. (Com sua típica hipocrisia, o Hitchens finge que não sabe que há torturas muito piores praticadas pelos amos dele, Hitch. Ele se ofereceu para ser “waterboarded”, mas eu gostaria de ver se ele aceita ser sodomizado com uma garrafa quebrada depois de ter sido mandado em segredo pro Usbequistão, ou ter as pernas arrebentadas enquanto alguém o obriga a gritar “Alá” – ou, no caso dele, “Bush” . Garanto que ele iria admitir na hora que planejou o 7 de setembro e matou a Benazir Butto e incendiou o Reichstag).

    Eu tenho certeza que as pessoas em Oxford e Cambridge são geralmente competentes em suas áreas, mas quando falam sobre o que não entendem, se comportam como ignorantes de feira. Poltrões. Com o tempo essa bobajada toda cai por terra, para ser substituída evidentemente por outras bobajadas, como é o caso da época atual, tão lindinha, tão filha da mãe.

  6. Convém ler a matéria inteira do Hitchens antes de citar ele fora de contexto:

    “You may have read by now the official lie about this treatment, which is that it “simulates” the feeling of drowning. This is not the case. You feel that you are drowning because you are drowning—or, rather, being drowned, albeit slowly and under controlled conditions and at the mercy (or otherwise) of those who are applying the pressure. The “board” is the instrument, not the method. You are not being boarded. You are being watered. This was very rapidly brought home to me when, on top of the hood, which still admitted a few flashes of random and worrying strobe light to my vision, three layers of enveloping towel were added. In this pregnant darkness, head downward, I waited for a while until I abruptly felt a slow cascade of water going up my nose. Determined to resist if only for the honor of my navy ancestors who had so often been in peril on the sea, I held my breath for a while and then had to exhale and—as you might expect—inhale in turn. The inhalation brought the damp cloths tight against my nostrils, as if a huge, wet paw had been suddenly and annihilatingly clamped over my face. Unable to determine whether I was breathing in or out, and flooded more with sheer panic than with mere water, I triggered the pre-arranged signal and felt the unbelievable relief of being pulled upright and having the soaking and stifling layers pulled off me. I find I don’t want to tell you how little time I lasted.”
    http://www.vanityfair.com/politics/features/2008/08/hitchens200808

    Tem pelo menos uns cinco debates do Hitchens com outros think tanks falando contra tortura. Não sei de palestra nenhuma em beirute, eu sei que ele falou na cara de um sujeito no Brasil (me fugiu o nome do cara) que era necessário que o ocidente se tornasse melhor em matar os seus inimigos. Eu acho esta uma afirmação bastante razoável. Tu pode argumentar que o realismo político é uma posição equivocada, que podemos nos entender ou o diabo. Por sinal, o Hitchens não apoiou o Bush em nenhuma eleição, pelo contrário. Ele apenas se recusou a apoiar o Gore em 2000 – em retrospecto, tu consegue culpar ele?!

    Sobre Waterboarding funcionar, o Hitchens não diz -sequer nesta tua citação – que Waterboarding é um método eficaz. Relê a matéria da VF, ta ali com todas as letras que um individuo exposto a este método vai confessar qualquer merda – não necessariamente a merda que ele fez.

    E se em um povo o depoimento de quatro mulheres vale o de um homem, e em outro vale o mesmo, eu acho que o que atesta a igualdade detém, sim, uma doutrina moral superior. E acho que a gente tem que parar de ficar pedindo desculpa por isso.

  7. Textualmente:
    “3. It may be a means of extracting information, but it is also a means of extracting junk information. (Mr. Nance told me that he had heard of someone’s being compelled to confess that he was a hermaphrodite. I later had an awful twinge while wondering if I myself could have been “dunked” this far.) To put it briefly, even the C.I.A. sources for the Washington Post story on waterboarding conceded that the information they got out of Khalid Sheikh Mohammed was “not all of it reliable.” Just put a pencil line under that last phrase, or commit it to memory.”

    Sobre aquela citação tua, ele segue dizendo que embora o PONTO exista é importante ressaltar QUE:

    Torture advocates hide behind the argument that an open discussion about specific American interrogation techniques will aid the enemy. Yet, convicted Al Qaeda members and innocent captives who were released to their host nations have already debriefed the world through hundreds of interviews, movies and documentaries on exactly what methods they were subjected to and how they endured. Our own missteps have created a cadre of highly experienced lecturers for Al Qaeda’s own virtual sere school for terrorists.

    Which returns us to my starting point, about the distinction between training for something and training to resist it. One used to be told—and surely with truth—that the lethal fanatics of al-Qaeda were schooled to lie, and instructed to claim that they had been tortured and maltreated whether they had been tortured and maltreated or not. Did we notice what a frontier we had crossed when we admitted and even proclaimed that their stories might in fact be true? I had only a very slight encounter on that frontier, but I still wish that my experience were the only way in which the words “waterboard” and “American” could be mentioned in the same (gasping and sobbing) breath.

    Ou seja,
    a tua citação tá COMPLETAMENTE fora de contexto. Não foi o ponto do Hitchens, mas precisamente o que ele procurava opor. Reler texto, desta vez despido de preconceitos e preconcepções sobre o que o Hitchens pensa ou deixa de pensar parece ser uma boa idéia.

  8. Urubu disse:

    Não concordo, Fabrício. Eu li a matéria inteira, sim. O Hitchens diz claramente que por meio do “waterboarding” os suspeitos podem ficar mais propensos a dar informações valiosas, e que nenhum agente dos EUA deve ser processado internacionalmente por ter praticado isso. O argumento dele é bem claro: ele preferia que não houvesse essa prática, mas se ela existe, quem a pratica não deve ser culpado, porque afinal de contas os outros são “mais bárbaros”.
    Além disso, o Hitchens está ignorando o fato de que Blackwater, o exército americano e países amigos tipo a Arábia Saudita fazem coisa muito pior com gente que nunca viu uma bomba, e o fazem por ordem direta do Pentágono. Essa e outras omissões tornam a defesa que ele faz dessa tal “guerra ao terrorismo” uma besteira, ou uma hipocrisia.
    Quanto ao resto do texto dele, eu perguntaria o que exatamente ele chama de terrorismo?Seria uma ação de um muçulmano contra um civil não muçulmano? Bom, nesse caso é óbvio que todos os terroristas são muçulmanos. Mas se tu considerares terrorismo como uma ação contra civis com finalidades políticas, então são culpados de terrorismo o exército de Israel, a Blackwater, o exército americano, a OTAN, o exército da China, o exército da Rússia, etc.
    E eu não falei só em tortura, eu falei no apoio dele a massacres e ocupações ILEGAIS, ou seja, criminosas. O apoio dele a crimes contra a lei internacional.
    E, em tempo, parceiro mío, minha diatribe é contra ele (sim, eu detesto o sujeito) e não contra ti (ainda te amo, a mi manera).

  9. Urublue, um urubu depressivo disse:

    “Garanto que ele iria admitir na hora que planejou o 7 de setembro e matou a Benazir Butto e incendiou o Reichstag”

    Porra, e eu achando que o 7 de setembro tinha sido planejado pelo Pedrão…

  10. Urubu disse:

    E não foi?

  11. Urublue disse:

    Mais ou menos, né, teve um dedo da dona Maria Leopoldina também:
    “O pomo está maduro, colhe-o já, senão apodrece”.
    Pedrão ouviu o conselho da patroa e…

  12. marlon disse:

    bah, concordei com quase tudo. realmente, baita texto. a única parte que me deixou meio cold foi a última: “the three most salient characteristics of the Muslim death-squad type were self-righteousness, self-pity, and self-hatred”. acho que aí ele deu uma psicologizada no mau sentido, e desnecessária. “Muslim death-squad types” ajustam-se perfeitamente à definição da ideologia totalitária de Arendt: cada um é ao mesmo tempo carrasco e vítima. [vítima: Islam oprimido, ocidente opressor etc.; carrasco: matar todos os kafr].

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