Derrida sobre Husserl

Voz e fenômeno nasceu de um comentário ao volume II das investigações lógicas de Husserl.

Considerados desde um ponto de vista puramente fenomenolóico, desde a redução, o processo de fala tem a originalidade de ser sempre entregue como um fenômeno puro, tendo já suspenso a atitude natural e a thesis existencial do mundo. A operação de “ouvir-se falar”é uma auto-afeição de um tipo absolutamente único. Por um lado, ela opera no medium de uma universladidade. Os significadores que aparecem neles precisam  idealmente ser ábes a repetir ou transmitir indefinidaemente enquanto o mesmo. Por outro lado, o sujeito é hábil à ouvir-se ou falar para si mesmo, ele é hábil à deixar-se ser afetado pelo significante que ele produz sem qualquer descaminho através do recuso da exterioridade, do mundo, ou do não-próprio em geral. Qualquer outra forma de auto-afeição precisa ou passar pelo não-próprio ou renunciar universalidade. Quando eu vejo a mim mesmo, não importando se isso ocorre por causa de uma limitada área do meu corpo é dada ao meu olhar ou ocorre por meio de uma reflexão ec-specular, o não-próprio já está lá no fcampo desta auto-afeição de a partir de então não é pura. O mesmo ocorre na experiência do tocar-e-ser-tocado. Ns dois casos, a superfície do meu corpo, em relação com a exterioidade, deve começar a expor-se no mundo. Não existem, alguém dirá, formas de auto-afeição que, na interioridade do próprio corpo, não requerem a intervenção de qualquer superfície mundana exibitiva e no entanto não são da ordem da voz? Mas então estas formas permanecem puramente empíricas; elas não podem pertencem a um medium de significação universal. É portato necessário, para darmos conta do poder fenomenológico da voz, specificar este conceito de pura auto-afeição e descrever aquilo que o faz próprio à universalidade. Na medida que é pura auto-afeição (afetação? algum Husserliano aí que me ajudar?) a  operação de ouvir-se-falar parece reduzir até ao superfície interna do próprio corpo. Neste fenômeno, o corpo parece poder dar conta desde a interioridade sem a exterioridade, parece sustentar-se sem este espaço interno no qual a nossa experiencia ou a nossa própria imagem do corpo é rabiscada. É por isso porque ouvir-se-falar é vivido como uma auto-afeição absolutamente pura, na proximidade do self que operaria nada além da absoludta redução do espaço em termos gerais. É esta pureza que permite a universalidade. Requerendo a internvenção de nenhuma superfície no mundo, produzindo a si mesma no meundo como uma auto-afeição que é pura, ela é uma substancia absolutamente disponível. Pois a voz encontra nenhum obstáculo para sua emissão no mundo precisamente na medida que ela produz a si mesma enquanto auto-afeição pura. Sem dúvida, esta auto-afeição é a possibilidade do que chamamos  subjetividade ou do para-si-mesmo, mas sem ela nenhum mundo apareceria como tal. Pois é nas suas profundezas que a voz assume a unidade do som ( que está no mundo) e da phoné (no sentido fenomenológico). Uma ciencia objetivamente “mundana” com certeza pode nos ensinar coisa alguma sobre a essencia da voz. Mas a unidade do som e da voz, que permite que a voz produza-se no mundo enquanto pura auto-afeição, é a agência unica que esapa a distinção entre intra-mundaneidade e transcendentalidade. Fazendo isso, ela torna a distinção possível.

Creio que está no original, entre 88-89.

Deve ter algo de muito hilário em alguém achar que isso pode ser algum dia ser ensinado como introdução à QUALQUER COISA.

Sempre lembrando, Derrida está falando sobre a chamada fenomenologia pura, que nas Investigações Lógicas é estabelecida como uma forma de limpeza conceitual, ou seja, de como tu te livra de todo lixo que tá te atrapalhando chegar em concepções não-poluídas (rigorosas). Para o Husserl, isso é uma questão de gramática. A semântica é o ponto irredutível (LU:II, i, 4) do processo de redução, é o qu eidentifica a fundação essencial para os processos expressivos (lógicos semânticos). As evidências vão expor esta fundação essencial, e a partir delas começa o processo de justificação (em uma fenomenologia estática, bem lembrado). Mas os processos associativos de indicação-expressão-represetanção colocam a questão da forma do dizer e do falantepara o fenomenólogo – que agora precisa se ocupar dos processos de dar-sentido e realizar-sentido.

Uma palavra apenas vem ao caso enquanto uma palavra quando o nosso interesse para no seu contorno sensorial, qual ela se torna apenas um padrão sonoro. Mas qando vivemos o entendimento de uma palavra, ela expressa alguma coisa e a mesma coisa, seja ela endereçada para alguém ou não. (LU:II, i, 8)

Expressão e sentido podem ser pensadas em uma unidade interna. A coisa fica complicada, no entanto, quando vamos expressar este pensamento lá fora, no mundo vivido. Quando a fenomenologia deixa de ser estática e passa a ser genética e generativa. Quando ela constrói mundo e significado através de práticas linguísticas. O que tá em jogo lá em cima é justamente demonstrar como esta passagem do unideade interna para o estabelecimento de associações externas colapsa com a tensão entre externo e interno, entre sujeito e objeto – a linguagem faz isso, necessariamente.

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