Derrida sobre Husserl, pt. II

Vamos portanto tentar interrogar o valor fenomenológico da voz, a transcendência da sua dignidade em relação com qualquer outra substancia significante. Pensamos e ainda tentamos mostrar que esta transcendencia é apenas aparente. Mas esta aparência é a própria essência da consciencia e da sua história, e ela determina uma epoch a qual a idéia filosófica de verdade, a oposição de verdade e aparência, que ainda opera na fenomenologia, pertence. Não podemos portanto chama-a [esta voz] de aparência, nem nomea-la desde dentro da conceptualidade metafísica. Não podemos tentar descontruir esta transcendência sem adentrar e forçar nosso caminho através de conceitos que herdamos, na direcão do inominável.

A “aparente transcendencia” da voz, portanto,  é baseada no fato que o significado, que é sempre essencialmente ideal, o Bedeutung “expressado”, é imediatamente presente para o ato de expressão. Esta presença imediata é baseada no fato que o “corpo”fenomenológico do significante parece se apagar no próprio momento que é pronunciado. Desde ponto em daiante, ele parece pertencer ao elemento de idealidade. Ele se reduz fenomenologicamente e transforma a opacidade mundana do seu corpo em pura diafaneidade. Este apagar do corpo sensível e da sua exterioridade é para a consciencia a própria forma da imediata presença do significado.

Derrida, Voz e Fenomeno, capitulo 6. Minha tradução.

E a conexão Spinoza-Hegel-Husserl-Derrida fica estabelecida.

Bando de demente maldito.

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