1998

Meu abandono completo deste blog nos últimos dias fez despencar meus acessos para algo na casa dos 20-30 acessos por dia (a média chegou a ser 200 no auge das nerdices neste ano). De verdade, isso já virou veículo para falar com os amigos faz tempo – o resto é meio que coincidental.

Pois bem, hoje me deu uma vontade – quando chegamos em Murphy – de ouvir um album chamado “Automatic for The People”. Quem conhece o album, sabe que é provavelmente um dos melhores da década de 90, um daqueles albuns de levar para ilha deserta e tudo mais. Ouvi. Cheguei à conclusão que é imensamente superior ao OK Computer (do qual eu gosto, diga-se de passagem). Mas daí fiquei pensando nisso, e resolvi ouvir um daqueles albuns feitos como resposta ao OK Computer.

Case in point, Up.

Up é um album do REM, de 1998, que hoje em dia é moda falar mal. Inclusive, pessoal gosta de detonar os albuns que o REM fez depois da saída do baterista original. Eu entendo. Mas eu também não concordo. Acho o Up e o Reveal albuns que aguentam comparação com a maior parte da produção do REM tranquilamente, embora o Up sofra de uma certa falta de foco. O Reveal eu coloco entre meus cinco albuns favoritos do REM, certamente.

Mas musicas como Why Not Smile, Walk Unafraid, Hope, Falls to Climb, são todas musicas melhores que a média do REM, e também melhores que a média do OK Computer – apenas para citar um exemplo.

O engraçado é que tu tem todas estas grandes bandas (REM, Pavement, Pulp) pegando gente emprestada do Radiohead, tentando emular aquele som, quando na realidade parecia que o contrário tava acontecendo. Radiohead parece ter pego elementos de REM, Pavement e Pulp e colocado numa grande sacola – junto com alguma coisa ou outra do Krautrock. Um bom exercício é ouvir os albuns destas bandas anteriores ao estouro do Radiohead e que influenciaram a banda de Oxford. Vamos lá: pelo lado do REM temos o Automatic for the People. Tem quatro músicas do OK Computer que conseguiriam entrar naquele album e que são referências diretas (Lucky, Exit Music, Airbag, The Tourist). Destas, só duas conseguem fazer sombra ao melhor do Automatic (Lucky e Exit Music). Pois bem, pegamos o Pavement: tanto Crooked Rain, Crooked Rain quanto o Brighten the Corner são melhores que o OK Computer. Não troco os dois guitarristas do Radiohead pelo Stephen Malkmus. Mas o Malkmus teve uma crise de Eric Clapton ao ouvir o OK Computer e desde então está convencido que foi superado e nunca vai conseguir fazer um troço parecido. Dizem que o OK Computer foi responsável direto pelo fim do Pavement (motivo suficiente para me querer fazer esganar um por um todos os membros do radiohead). Sobre o Jarvis, me parece que o estilo de composição dele deve ter dado uma certa abertura pro Thom Yorke poder fazer o que ele faz. Explico: o Brit Pop e o Brit Rock, com todos os seus méritos, não focavam – exatamente – em um aspecto mais… cerebral … da coisa, o Jarvis Cocker era o único cara do brit rock com capacidade de escrever e compreender frases complexas e bem construídas (mentira, tinha o pessoal do Suede… mas tá, né?). E ele vendeu como água e deu dinheiro pácas. Se o The Bends e o OK Computer foram possíveis, foi porque o Jarvis provou que dava para fazer aquele tipo de coisa para o público inglês e vender em grande escala.

Mas perco o foco. E qual era o foco mesmo?

Ah sim, o Up e de outro album chamado We Love Life e de outro chamado Terror Twilight.

Ouvindo agora, com carinho, estes cds… eu fico pensando nas bobagens que tornam um ou outro cd um “símbolo”. O album certo na hora certa. Claro, tu tem exceções. Na minha cabeça, Blood on The Tracks, A Love Supreme, Exile on Main Street, Otis Blue, It takes a nation of millions e mais uma meia dúzia, são todos albuns que ultrapassam estas coincidências e falam um idioma quase universal (agora penso que o próprio Automatic for the People pode ser mais um destes albuns). Mas isso é coisa que acontece uma ou duas vezes a cada vinte anos, e acho cada vez mais que OK Computer está mais para The Dark side of the moon do que para Physical Graffiti. Ou seja: é um pedaço  interessante de música, mas não é icônico.

Não sei, post bem estranho este.

Eu tinha em mente ter escrito algo sobre a eleição do homem do ano, quem eu achava que era uma boa escolha – e algo no Distropia sobre este último evento quase-trágico nos Estados Unidos. Mas vá-lá. Fica o recado: escutem os albuns ali em cima (só dois são de 1998, antes que tentem me corrigir) e depois me digam se acham que eu tô pirando.

O Tiago, eu já sei, vai dzier que o Up é quinhentas vezes melhor que o OK Computer. E ouvindo Falls to Climb eu quase concordo.

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