Dez livros de filosofia para a década

Hmn. Difícil.

Primeiro, porque não tem como determinar importância em filosofia com um tempo tão curto. Muita coisa que dois anos atrás dava sinal de dominar o diálogo, agora parece perder força, coisas que antes pareciam estar esquecidas agora tão voltando com força… e os clássicos continuam os clássicos. Nos últimos cinquenta anos, não resta dúvida, houve de um lado  “A theory of justice” e do outro o “Wittgenstein on rules and private language”. Do lado continental, teve a Teoria da Ação Comunicativa e o Diferença e Repetição. Mas nos últimos dez anos, o que dá para separar?

Qualquer lista que eu coloque na baila vai focar em filosofia prática, por motivos óbvios. Mas do que lembro (sem ordem) são estes:

– Seyla Benhabib – The Claims of Culture

– Axel Honneth – Disrespect

-Derrida/Habermas – Philosophy in a time of terror. Dialogues.

– John Rawls – Justice as Fairness – A restatement

-Bernard Williams – Truth And Truthfulness: An Essay In Genealogy

– Giorgio Agamben – The Open

– Daniel Dennet – Freedom Evolves

– David Hull – Science as a Process

– Brian Leiter – Naturalizing Jurisprudence

– Donn Welton – The other Husserl

Vou terminar já me desculpando pelos títulos quase na totalidade escritos por filósofos sitos nos Estados Unidos. Foi mal. Quase coloquei o último livro do Stein ali no meio, mas ia parecer puxa-saquismo (não seria). Também caberiam ali o Alain Badiou, o Inclusão do Outro – do Habermas – e uma série de outros livros. Mas acho que estes dez dão um panorama do que eu acho importante, ou pelo menos que eu não esqueci cinco minutos depois de ler.

Tenho certeza que em cinco minutos vou lembrar de outros títulos que vão me fazer detestar esta lista.

Comments
4 Responses to “Dez livros de filosofia para a década”
  1. Olá Fabrício, é bem verdade que enumerar filósofos que marcaram a década não é tarefa fácil pelo simples motivo de que nossa sociedade jão nao produz tantos assim, verdadeiramente, não vivemos em uma época de ouro da filosofia. Mas sua lista é muito boa!
    Eu acrescentaria o ensaio Famine, Affluence, and Morality de Peter Singer. Um abraço

  2. Oi Professor.
    Olha só, Não sei se concordo contigo.
    Deixa eu me justificar: se tu parar para pensar, hoje é uma época muito mais fácil para trabalhar em filosofia do que, digamos, no século XIX ou mesmo na primeira metade do século XX.
    Para início de conversa, a gente tem o governo pagando (!!!) a produção de trabalhos em humanas. E não só no Brasil, por tudo. Além disso, ao contrário do que acontecia até a primeira metade do século passado, tu não um interesse na filosofia exclusivamente conectado com o pessoal mais cheio de grana. Era raro, quase impossível, tu achar gente que dependia da grana da filosofia para produzir. Pensa nos grandes filósofos até o Hegel. Todos, sem exceção, eram homens ricos. Talvez um ou dois franciscanos na idade média e este ou aquele excêntrico maluco que gostava de se fantasiar de mendigo. Mas no geral, era gente rica.
    Agora tu tem uma certa diversidade maior no campo, e o número de trabalhos publicados é imensamente maior.
    Bom, a dificuldade, para mim, é que boa parte dos trabalhos em analítica tem um prazo de validade mais curto. Então fica mais complicado tu dizer que é “relevante” depois de dez anos. Porque já foi devidamente falsificado por um emaranhado de publicações. No entanto, o lado continental foi desastroso nestes últimos dez anos. Tivemos esta proliferação de trabalhos na linha de embustes como o Zizek, e toda a re-tomada do pior dos anos oitenta. Mas isto é típico de período de transição.
    Acho que esta última década foi uma década de transição na produção filosófica. Tu tem um turn na filosofia analítica que eu acho que tem poucos precedentes, com o domínio mudando da inglaterra para os estados unidos – parece – de forma definitiva. A morte do pragmatismo enquanto postura filosófica (morreu, faleceu, acabou, enterraram com o Rorty). E este novo naturalismo que sabe deus onde vai parar.
    Do lado dos continentalistas, tá todo mundo tentando fazer sentido do fracasso do Foucault, do que diabos o Deleuze tava tentando fazer e do desastre épico que é o legado do Heidegger. Aqui nuzistates tu vai ver isso com este retorno do Husserl e a tentativa de “salvar” a filosofia crítica… Daí eu pensar que o Welton e o Honneth são os grandes caras desta linha… e o Agamben, na linha do Deleuze e como um cara que, ao contrário do Foucault, é justo com a história da filosofia.

    Acho que o Singer tá sendo vítima da síndrome-de-inglês. Ou seja: a produção principal ficou na juventude dele. Ali com o Animal Liberation. Ultimamente, eu respeito o velho, mas acho que ele não consegue ser tão importante quanto, digamos, a Benhabib ou mesmo o Honneth. :)

  3. E eu sei que o Singer é australiano, antes que algum espertinho venha com A-HÁ!

  4. Sim vivemos em uma época que propicia tudo isso. Trabalhos temos muitos, uma simples pesquisa em bancos de dados universitários (ou até mesmos os publicados na web) demonstra a veracidade. Mas ainda é uma filosofia restrita ao universo acadêmico, não chega onde deveria estar: no cotidiano das massas. Antes de mais nada isso não é uma utopia socrática e nem um levante a favor de Marx. Sou professor me deparo com essa realidade. Nós como filósofos devemos ter em mente sempre isso. Transformemos nossas teorias filosóficas em prática. Finalizando, filósofos por essência sempre es´~ao à frente d eseu tempo, por isso que é dificil enumerá-los, por mais que tentamos. Um abraço, você demonstra muita competência no que afirma, isso é bom, apropia-se do conhecimento! Quanto a Singer concordo com você… na verdade é isso mesmo a impressão que tenho é que a filosofia nos dias atuais é mais lenta na produção de novos conceitos e quebra de paradigmas… numa análise hegeliana fica-se muito na Tese, encontra-se na Antítese e a Sintese demora-se décadas!

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