Introduzindo os Estados Unidos

Antes de mais nada:

Dictionaries have been removed from classrooms in southern California schools after a parent complained about a child reading the definition for “oral sex”.

Os mesmos pais solicitaram a remoção do sexo da criança, pelo visto.

Merriam Webster’s 10th edition, which has been used for the past few years in fourth and fifth grade classrooms (for children aged nine to 10) in Menifee Union school district, has been pulled from shelves over fears that the “sexually graphic” entry is “just not age appropriate”, according to the area’s local paper.

Por favor, vejam o jornal da área (no link). Agora digam, quem é que é culpado de conteúdo inapropriado? O Webster, ou o design gráfico do jornal?

The dictionary’s online definition of the term is “oral stimulation of the genitals”. “It’s hard to sit and read the dictionary, but we‘ll be looking to find other things of a graphic nature,” district spokeswoman Betti Cadmus told the paper.

Na realidade, a Betti Cadmus esqueceu de mencionar que qualquer livro sem figurinhas ilustrativas de anjos é difícil de ler. Mais ainda, ela esqueceu de mencionar que último livro que ela leu foi o pequeno príncipe, e ela tinha ficado horrorizada que a rozinha não tinha se convertido ao cristianismo ao final da fábula.

Claro, bobagem minha indicar que isso é coisa de gente religiosa. Existem exceções blah blah blah. Que seja.

No fim das contas, este país estragou completamente minha tolerância com este tipo de gente. Estes macaquinhos de circo que querem “proteger” os próprios filhos (e os teus também, não te engana) de conteúdo “obsceno”. Quem decide, mesmo? Uma tia velha do sul da califórnia que não consegue convencer o marido à tocar ela tem vinte anos? Que expulsou a filha de casa quando descobriu que ela tava namorando com o quarterback no banco de traz do carro? Que entupiu o filho de remédio quando, aos oito anos de idade, ele se comportou como um guri de oito anos de idade?

Claro, obsceno é ensinar o dicionário na escola. Imagino que ensinar a bíblia não tenha nada de errado.

Imagino que a cena da crucificação de um jovem com detalhes mórbidos acerca das chicotadas não tenha natureza gráfica. Nem a fábula de um deus que manda um maluco matar o próprio filho para depois seguir com o “foi mal aí”.

Tem um camarada, um pastor, na matéria da Guardian, foi na mosca:

“You have to draw the line somewhere. What are they going to do next, pull encyclopaedias because they list parts of the human anatomy like the penis and vagina?”

Para mim, a pergunta é mais importante: para que desenhar uma linha em qualquer lugar? Se teu filho tá lendo um livro obsceno, vai falar com o guri e não proibir o livro. Porra, não pode ser tão difícil assim desfazer o estrago em cinco minutos de conversa. Vai deixar o pirralho constrangido, é claro, mas francamente. Nada considerado obsceno pode fazer tão mal prum guri (ou guria) do que a literatura de quinta categoria da coleção vagalume que a gente teima em botar para a pirralhada ler.

Não que literatura tenha lá um grande fator emancipador. Acho que teve para mim, não vai ter para todo mundo – e ótimo. Nem todo mundo tem que ler livros, vive-se muito bem sem isso. Mas vamos lá: qualificar literatura de obscena eu até aceito, proibir leitura por isso? Ah não. Tirar dicionários de escolas? Porque não acabar, também, com a educação sexual?

Opa, pera aí.

Deixa para lá.

Comments
4 Responses to “Introduzindo os Estados Unidos”
  1. Pedro disse:

    O Hitchens conta a história de um dicionarista inglês, Dr. Samuel Johnson, que, após publicar o amansa foi cumprimentado por um grupo de carolas inglesas por “nao ter colocado nenhuma palavra indecente ou obscena no dicionário”.

    Ao que o dicionarista teria respondido: “Eu é que cumprimento as senhoras por saberem quais as palavras a serem procuradas.”

  2. G.D. disse:

    Nao sei se aquele “Livro infantil alemao” sobre sexo cujas imagens circulam pela internet via mail seria MESMO real e aplicado/utilizado nas escolinhas, para os pequenos.

    Se for, trata-se da sacada MAIS GENIAL vista no quesito.

    (e isso sem idolatrar de forma alguma os europeus que – estranha e paradoxalmente – sao especialistas em libertinagem generalizada mas acham que biquini curtinho = putaria)

  3. Bizarro, GD. sempre tao indo pro spam estes comments… tu ta num pc publico?

  4. Pedro disse:

    Em resposta ao G.D.: eu mostrei aquele e-mail a alguns colegas daqui.

    Eles disseram que nao foi por aquele livro que eles estudaram a sexualidade humana, mas acharam ser bem possível em alguns estados que nao sao tao conservadores. Berlin foi unanimamente usado como exemplo.

    O melhor, contudo, foram as risadas do desenho (sensacional!!!) do bebezinho saindo com os bracinhos pra fora da mae…

    Impagável!

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