15 gibis

Domingueira. Ana Paula jogando Arkham City no PS3 (jogo sensacional). Tatiana me pergunta algo sobre quando os gibis ficaram mais “maduros”, falando sobre a série clássica do Batman e como a coisa virou depois de um tempo (embora eu seja capaz de defendender que voltou, ao menos na timeline normal da DC e da Marvel, a ser mais infantil). Começo a navegar a Wikipedia e ler sobre a Silver Age, Golden Age, Bronze Age (nem sabia que existia) e Modern Age das histórias em quadrinhos.

Ao fim, percebo que esse blog jamais teve uma lista de gibis para motivar uma discussão completamente inútil entre os frequentadores dessa joça. Pois bem, urge fazer isso.

Inicialmente, uma confissão: embora minha geração tenha visto um pico criativo na Marvel, especialmente nos X-Man, eu era leitor assíduo de DC – especialmente Batman. Isso certamente vai aparecer nessa lista.

15) A Saga da Manopla do Infinito – Starlin/Perez

Ok, o fato dessa série entrar na minha lista denuncia o quanto eu sou megalomaníaco. A história da luta de Thanos pelo PUDER ABSOLUTU é uma das coisas mais overpower desde a luta de Gohan contra o Cell (oi!), mas é absurdamente divertida – especialmente para perceber a natureza TEOCÊNTRICA do universo Marvel e a quantidade ridícula de personagens cósmicos criados durante anos de hail-mary. No mais, a série tem a melhor frase já dita por um personagem em qualquer gibi. Warlock, acho que no volume sete (Guerra Infinita) “outro que salve o universo dessa vez”.

14) The man without fear – Frank Miller

A série de gibis que colocou o Miller de protagonista do renascimento dos Gibis enquanto cultura. Também introduz a Elektra e demonstra que o Demolidor podia ser muito mais que um cover cego do Batman.

13) O Retorno do Super Homem – Dan Jurgens

Primeiro, vale por não ser uma apelação TÃO GRANDE ASSIM. Também vale por colocar um ou dois vilões muito massa no Universo DC. E, sobretudo, vale pelo final totalmente transtornante com a destruição de Coast City e a transformação de Hal Jordan em um completo psicótico (depois estragaram tudo transformando ele numa espécie de novo Espectro).

12) Muir Island Saga – Chris Claremont

Lembro que saiu em volumes sucessivos, no gibi do X-Men pela Abril. Ainda em formato “gibi”. Era massa ficar esperando os exemplares novos na banca, ou ler na casa dos amigos. Para mim, é massa porque aproveita uma série de personagens que eram sub-aproveitados, e que o Claremont leva para um ápice. Vampira, Gambit, Fera e o próprio Wolverine, todos têm a melhor fase durante a tenure do Claremont.

11) Marvels – Busiek/Ross

Recomendo para todo mundo que diz não gostar de história em quadrinhos. A idéia da perspectiva “civil” é sensacional, imbatível.

10) Sandman – Neil Gaiman (especialmente “Season of Mists”)

Ficou datado, e um tanto bobinho. Acho que o Gaiman ganha muito mais crédito do que ele merece pelo texto, mas visualmente é uma série fantástica. E não dá para negar que provou que era possível fazer muito mais com o formato.

9) The Dark Knight Rises – Frank Miller

Talvez seja o gibi mais influente da época. E também um bom polaroid dos anos Reagan.

8) Groo – Sergio Aragonez

Sátira sensacional dos anos 80 nos comics e da tendência da geração do Miller e do Moore de se levar a sério demais. Uma pena que não durou mais tempo. Tenho – todos – exemplares.

7) A queda do Morcego – Chuck Dixon

A série é enorme, acho que durou quase um ano inteiro, e tem altos e baixos (os baixos são BEM baixos). No entanto, quando a série tá no pico, é a melhor série em uma linha de tempo normal – fora de graphic novel – que eu já li.

6) Kingdom Come – Busiek/Ross

O que o Busiek e o Ross fizeram pela Marvel, que era uma declaração de amor ao universo Marvel e ao impacto cultural do universo Marvel, é repensado aqui na escala cósmica da DC. É verdade que a DC nunca teve o impacto cultural da Marvel, especialmente nos Estados Unidos. A DC sempre foi mais abstrata, mais mística e em alguns aspectos mais infantil. O Kingdom Come resgata isso em um contexto bíblico, quase apocalíptico.

5) Ruins – Ellis/Nielsen

Isso vai soar pedante, mas vamos lá: na minha opinião, é o ÚNICO gibi que eu li, na minha vida, que qualifica como obra de arte.

4) The Killing Joke – Moore

Primeiro, boa parte do crédito que vai pro Tim Burton – pelo Batman – deveria ir pro Moore. O Burton é o primeiro a admitir, na realidade, que o visual e o texto do Killing Joke influenciaram os filmes. Marcou época.

3) Watchmen – Moore

Para mim, é um retrato de época melhor que o Dark Knight Rises. Pena que tenha deixado a porta aberta para uma série de colocações que pensam que colocar sangue para tudo que é lado é a mesma coisa que fazer um bom gibi.

2) Death: The high cost of living – Neil Gaiman

Falando em marcar época… prefácio da Tori Amos, ilustrações fantásticas. Para mim, realiza o potencial do Sandman em um gibi único. Eu tinha a cópia do Tiago Habkost, e pensei seriamente em jamais devolver (devolvi).

1) The day Gwen Stacy Died – Conway/Kane/Romita

Primeiro gibi moderno, em vários sentidos. História conseguiu mudar os rumos do cinema, da literatura e de tudo mais. Sintetiza tudo que o Homem-Aranha significou em termos de popularidade e todo o potencial das histórias em quadrinho.

É isso. Fire it up, gurizada.

 

Comments
28 Responses to “15 gibis”
  1. Tatiana Vargas Maia disse:

    Fiquei com saudades do sofá do Ferrari agora, pode? :)

  2. Ferrari disse:

    Apenas um comentário: faz muito tempo que tu não lê quadrinhos, né? Cara, saíram umas coisas nos últimos 15 anos que são sensacionais.

  3. Faz sim. Eu to na pilha de ler guerra civil e contagio, que dizem que sao sensacionais.

  4. Ferrari disse:

    Guerra Civil tem coisas legais sim, mas não é TODO legal. Aconselho: Crise de Identidade, Walking Dead, Y: The Last Man, Superman: Red Son, Ultimates v1, Ultimate Iron Man v1, Arrowsmith, League of Extraordinary Gentlemen, 1602, Top Ten, Alias (Marvel Knights), Astonishing X-Men

  5. Ferrari disse:

    Procure aqui http://issuu.com/ Todos para ler online

  6. por curiosidade, qual seria tua lista?

  7. a paula comprou o primeiro arco do Walking Dead. To lendo depois dela :P

  8. Tati disse:

    1602 é chato

  9. Ferrari disse:

    Eu gosto do clima. Acho que o Gaiman é meio bobinho, ele não serve para escrever super-heróis.
    Mas a idéia que é genial.

    Fabs, não sei qual seria minha lista. Mas certamente Y:The Last Man estaria no topo. O final dele é uma coisa epifânica.

  10. gabrieldivan disse:

    Gaiman acho “meh” PROFUNDO, mas RESPEITO. Realmente CONCEITUALIZOU afu e marcou pelo estilo (sinceramente nao sei como os ‘emos’ de hoje babam ovo para rockzinhos melosos e nao para Sandman – heh)

    “Dark Knight” seria a opcao mais obvia de uma lista, mas eu acho que a subversao mais definitiva e transcendental de um super-heroi foi a auto-analise gigantesca do Batman chamada “Asilo Arkham”. Aquilo para mim atinge o apice.

    Groo= sem palavras para definir a sensacionalidade.

    Do Demolidor, gosto demais da Queda de Murdock.

    Vou confessar que JAMAIS curti “Watchmen”.

    TU nao tem sacado o R. Grampa? Achei “Mesmo Delivery” excelente e estou no aguardo do Furry Water.

    Em tempo: reedicoes encadernadas/capa dura da Panini para series classicas: estou VARRENDO tudo \o/

  11. Marcelo disse:

    Eu gostava de quadrinhos. A Sério.
    Mas enchi o saco com essas histórias de continuidade. Coisas “canônicas” que tem que ser acomodadas todas na mesma timeline.
    Acho muito mais legal o esquema japonês onde as histórias tem começo, meio e fim. E as vezes os personagens são reaproveitados em outro arco que não tem nada a ver com o primeiro. E ninguém nem finge que deveriam ser os mesmos caras na mesma timeline

    Dito isso. Gosto mais das séries curtas.

  12. Ana Paula disse:

    1) Acho que o Fabs não curtiria 1602, mas eu acho legal, bem legal.

    2) Walking Dead tá bem massa, é legal ver o jeito de adaptaram pra tv em contraste da rapidez da história nos hqs, e olha, acho que conhecendo a história original, dou um baita valor pro que tão fazendo, com exceção do take on gender politics, tornaram as mulheres em um monte de donas-de-casa-do-apocalipse.

    3) Recomendo todos os outros que o Ferrari falou, e sobre o lance da Guerra Civil, eu aceito que não seja toda boa, mas gosto de pensar que no conjunto, é uma saga bem sucedida.

    4) Muita pouca gente da minha geração, que formam boa parte dos “emos” (se é que ainda existe such thing), não pegaram a heat wave de Sandman, por isso não conhecem, eu conheço por causa da Tati, mas muita pouca gente que se liga nessas modinhas e grupinhos e nhénhénhé tá ligando pra comic books no estilo de Sandman, eu acho que marcou uma época, é muito anos 90, o que saiu depois disso foram só histórias isoladas e complementares, nada de fazer a geral se apaixonar ou que tenha sido bombado o suficiente pra isso.

    5) Eu recomendaria coisas diferentes também, gosto muito dos trabalhos mais recentes do Fábio Moon e do Gabriel Bá e tô louca pra ler os livros novos. Fá, se te interessar, eu tenho um hq aqui em casa chamado Jimmy Corrigan, O Menino Mais Esperto do Mundo. Look up e me avisa, levo pra ti essa semana. :)

  13. marlon disse:

    Sandman datado e bobinho. mas vocês tão tudo loco, chê. (concordo quanto ao resto, mas nunca consegui gostar de DC. e colocaria Elektra e Ronin na lista. Sienkiewicz pirou na arte).

  14. gabrieldivan disse:

    Marlon tocou num ponto que eu havia esquecido de mencionar: Sienkiewicz teve menos (MENAS) ovacoes do que deveria. ‘Elektra Assassina”, entre outros, simplesmente COMANDA. Arte sem parametros.

  15. Eu li 1602. Achei chato.
    Sandman é DC, néhn gentz.

    Ronin e Elektra são massa. 15 gibis são pouco. Mas na real, tentei ser coerente e focar nos que EU preferi. :)

    Gosto cada vez menos do Watchmen. mas quando eu li pela primeira vez, amey.

  16. marlon disse:

    I meant universo DC. colecionei Marvel até os 15 anos, não suportava DC, achava infantil (!). acho Watchmen uma obra prima, até pelo experimentalismo.

  17. Colecionei DC até os 17. :P
    Mas comprava Marvel POR FORA.

  18. marlon disse:

    não ia confessar, mas… troquei TODA minha coleção pelo valor de um COTURNO novo, no Adeli Sell (acho que era ele? numa lojinha chinela na Borges), e virei Oswaldeiro. àquela época quem colecionava gibi não comia ninguém, então… :p

  19. “naquela época”

    Marlon, não foi na Planeta Proibido, na riachuelo, quase esquina com a borges?

    Se foi, espero que te sirva de consolo que o teu dinheiro roubado lá foi parar na mão de um assíduo frequentador desse blog, que acredita na teoria do ladrão que rouba ladrão etc.

  20. marlon disse:

    acho que não existia Planeta Proibido nessa época. bichô, tenho quase 40. não, era na Borges, naquelas lojinhas… pra quem sobe desde a Demétrio, era à direita, quase chegando na “Duque” (que ficava acima, claro). quem é o frequentador, o Ferrari? (putz, pior que lembro vagamente que ia seguido numa loja de gibis que tinha um monte de coisas, caras, geralmente… talvez fosse essa.)

  21. não posso confirmar nem negar que ferrari esteja envolvido nisso.

  22. a Planeta era antiga, cara. acho que tava ali na Riachuelo por uns 20 anos.

  23. marlon disse:

    jhkjshks.

    deve ter sido essa, então. pior que eu lembro dentro do lugar, mas não das redondezas.

  24. “pior que eu lembro dentro do lugar, mas não das redondezas.”

    nessas vários acabaram a noite vestindo calcinha no dark room do Sunga Bar.

  25. marlon disse:

    fabs sabe tudo de Sunga Bar. habituê. fkdsfks

  26. Nossa, nem me lembra que eu fico arrepiado.

  27. joker disse:

    Aqui em casa tem Watchmen, Sandman, Killing Joke (Deluxe!), 300, tinha Elektra, mas meu maior apego é pela coleção quase completa de Conan, o Bárbaro.

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